Enem: 'Lei Seca' foi opção para evitar fatos polêmicos, dizem professores
DHIEGO MAIA, DE SÃO PAULO
GABRIELA TERENZI e INGRID FAGUNDEZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
 
A segunda etapa do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deste domingo (27) seguiu o modelo do primeiro dia. O formato das provas está cada vez mais parecido com os vestibulares tradicionais, apontam professores de cursinhos ouvidos pela Folha. Os candidatos resolveram 90 questões de matemática e linguagens, além de uma redação. A prova durou cinco horas e meia.
 
Na opinião dos professores, a discussão em torno da 'Lei Seca' na redação foi acertada. O tema desta edição é mais próximo da realidade dos jovens --maioria dos candidatos-- do que o do último exame, que tratava dos problemas da imigração.
 
"O tema foi excessivamente abordado durante o ano. Esperava-se que o aluno não discutisse apenas a lei seca, mas os seus efeitos. Acho que, pelo texto de apoio, os candidatos vão concluir que muito pouco foi feito em relação à lei --blitz ou punição", diz a professora de redação do colégio Objetivo, Elisabeth Massaranduba.
 
Para Fernando Andrade, professor de redação do Anglo, temas como o das 'Manifestações de Junho' ficaram de fora porque não se encaixam no padrão do exame.
 
"O Enem evita temas tão polêmicos. Eles privilegiam temas mais neutros no sentido político, para saber se os candidatos entendem o conceito de cidadania."
 
"A redação do Enem sempre pede uma proposta de intervenção. Os candidatos poderiam dar várias respostas: aumento do tempo para obtenção da carteira, que a educação no trânsito vire matéria escolar, leis mais duras, punição severa, blitz mais constantes", complementa Massaranduba.
 
Luís Arruda, coordenador do Anglo de São Paulo, disse que a prova de matemática se assemelhou ao vestibular da Fuvest pelo nível de dificuldade. Para ele, o candidato teria que ter conhecimento específico para resolver as questões. "Matemática foi difícil e se aproximou muito do que é cobrado nos vestibulares. O aluno que pensou em usar algum artifício nas provas não se deu bem. O nível da prova foi excelente".
 
Contrariando os exames anteriores, os professores de inglês que concederam entrevista à Folha disseram que a prova surpreendeu pelo grau de dificuldade. Candidatos com nível básico no idioma, segundo eles, tiveram problemas para achar a resposta certa devido à diversidade dos textos cobrados.
 
"Foram cinco questões interpretativas, com textos muito variados. Tinha de charge do Calvin a texto sobre o Steve Jobs. Não dá mais para subestimar o inglês. A prova estava mais difícil que a última da Fuvest", afirmou Elaine Callegari, professora de inglês do Objetivo.
 
Diferente do inglês, a prova de espanhol, na visão de Callegari, foi considerada fácil. "Cobrava a interpretação de expressões idiomáticas. Não era preciso um grande conhecimento. Estava no mesmo nível que a prova de espanhol do ano passado".
 
Para o professor de matemática do Objetivo, Gregório Krikorian, as questões da matéria também estavam mais simples. "Ela está deixando de lado os cálculos e se tornando mais analítica. É uma prova pé no chão: tem escala de mapa, porcentagem, interpretação de gráficos."
 
Edmilson Motta, coordenador geral do Etapa, avalia que a pontuação dos candidatos deve se nivelar pelo grau de dificuldade de cada prova. "Teremos pontuação parecida em três eixos. Nas provas de Humanidades e Ciências da Natureza o nível de dificuldade aumentou. Em matemática, caiu um pouco e na prova de Linguagens se manteve. Desta vez, acredito que o candidato não terá pontuações tão díspares".
 
 
 


Postado em 30/10/2013


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