O adolescente que quer reinventar a leitura
por Nick Daloisio
 
Depois de ouvir falar que, em março, um garoto britânico de 17 anos vendeu um software para o Yahoo! por US$ 30 milhões, alguém poderia ter noções preconcebidas de que tipo de rapaz ele seria. Um nerd, que só pensa em códigos de programação. Um sujeito tímido, que fala baixinho e tem aversão ao olho no olho.
 
Por isso, conhecer Nick D'Aloisio é um choque. Imagine um alto executivo do Vale do Silício dotado de temperamento fácil e talento nato para a mídia. Imagine um cara capaz de conversar com segurança (e olhando no seu olho) sobre temas variados como as teorias de Noam Chomsky, a ciência das redes neurais e o conceito budista de "jñana".
 
O aplicativo inventado por D'Aloisio, o Summly, comprime textos longos em algumas frases representativas. Especialistas em tecnologia perceberam que um aplicativo capaz de gerar resumos sucintos e precisos seria extremamente valioso num mundo em que estamos o tempo todo lendo coisas em nossos telefones.
 
Em 2011, aos 15 anos, D'Aloisio recebeu um financiamento inicial do bilionário de Li Ka-shing de Hong Kong, o homem mais rico da Ásia. A venda para o Yahoo! fechou um ciclo notável para alguém que ainda nem terminou o ensino médio. Mas não é só o conhecimento tecnológico que distingue D'Aloisio. Muito antes de poder fazer a barba, ele já era movido por uma curiosidade intensa e um enorme desejo de deixar uma marca no mundo da tecnologia. Não apenas criar, mas construir algo, e, é claro, ganhar dinheiro no processo.
 
Ele recentemente passou a se reunir com gente como Marissa Mayer, diretora-presidente do Yahoo!, e Rupert Murdoch, presidente da News Corp., a dona do The Wall Street Journal. À sua maneira, ele é tão formidável quanto os relativamente "velhos" David Karp, 27 anos, fundador do Tumblr, ou Mark Zuckerberg, 29, o prodígio do Facebook. "Ele cativa a atenção das pessoas", diz Joshua Kushner, fundador da Thrive Capital, uma das primeiras a financiar o Summly. "Ele é incrivelmente autoconsciente para a idade."
 
D'Aloisio começou a programar aplicativos para o iPhone em 2008, quando tinha 12 anos e trabalhava em seu quarto, num computador Mac. Não teve aulas formais de computação e nenhum de seus pais entendia de tecnologia. Aprendeu a programar praticamente sozinho.
 
Estudou línguas diversas como latim e mandarim, e ficou fascinado por conceitos como estruturas gramaticais e análise morfêmica (morfema é a menor unidade linguística com um significado).
 
D' Aloisio chegou à conclusão de que era crucial encontrar uma maneira de determinar melhor o que vale a pena ser lido. Imaginou uma ferramenta sintetizadora que usasse teoria linguística para fazer uma sinopse significativa em menos de 400 caracteres.
 
"Há dois jeitos de fazer processamento de linguagem natural: o estatístico e o semântico", diz D'Aloisio. O sistema semântico tenta descobrir o significado de um texto e traduzi-lo de forma sucinta. O sistema estatístico — do tipo usado por D'Aloisio no Summly — não se preocupa com isso. Ele mantém as sentenças intactas e descobre como selecionar umas poucas que melhor captem a mensagem do texto todo.
 
Uma versão inicial do Summly, chamada Trimit, foi destaque na loja de aplicativos da Apple em 2011. Lá, o app chamou a atenção do TechCrunch, um blog influente do Vale do Silício, e logo atraiu um grupo de investimento liderado por Li Ka-shing, o Horizons Ventures.
 
"Pensei que ia vender o aplicativo por uma ou duas libras esterlinas cada um na loja da Apple e aí usar o dinheiro para comprar um computador novo", diz D'Aloisio. "Nunca havia tido contato com um investidor antes." Ele foi à reunião com representantes do Horizons Ventures acompanhado dos pais. O encontro terminou com D'Aloisio recebendo um investimento inicial de US$ 300.000.
 
Ele foi levado a conferências de tecnologia em todo o mundo e apresentado a outros potenciais investidores. "Ele tem uma maturidade assustadora", diz Andrew Hall, diretor da King's College School, a escola que D'Aloisio frequenta desde os 11 anos.
 
D'Aloisio atraiu também um grande grupo de financiadores para o Summly, incluindo famosos como Ashton Kutcher, Yoko Ono e Stephen Fry.
 
Os pais de D'Aloisio migraram da Austrália para a Inglaterra. O pai, Lou, trabalhou na área de commodities da BP e do Morgan Stanley, e a mãe, Diana, é advogada especializada em direito empresarial e representa o filho nos contratos. Eles sempre souberam que D'Aloisio era uma criança extremamente curiosa. "Mas ele é nosso primeiro filho e, por isso, não achamos que fosse nada fora do comum", diz Diana. (O irmão de D'Aloisio, Matthew, tem 14 anos.) Eles enfatizam o fato de que D'Aloisio continua a ser um garoto normal. "Ele ainda sai nos fins de semana, vai a festas, namora", diz Diana. E, embora tenha parado de frequentar a escola, ainda tem que fazer lição de casa e se encontra com seus professores regularmente.
 
Por enquanto, D'Aloisio não tocou no dinheiro. "Sou muito novo para apreciar o valor desse dinheiro", diz. Ele não tem autorização para comentar o preço de venda do Summly, noticiado como US$ 30 milhões.
 
Talvez a pergunta mais interessante seja por que o Yahoo! gastou tanto dinheiro num único aplicativo. É que a capacidade de resumo do Summly se encaixa perfeitamente ao novo foco do Yahoo! em serviços para dispositivos móveis. A empresa americana de internet está decidida a obter espaço na disputada telinha do smartphone e atrair os jovens.
 
Não há dúvida que a aquisição é uma dessas em que a pessoa sendo adquirida é tão importante quanto o produto. D'Aloisio está agora trabalhando em tempo integral no escritório do Yahoo! em Londres. Mayer, a diretora-presidente, elogia seu "compromisso com a excelência em design e a simplicidade". D'Aloisio passa 80% do tempo no escritório melhorando o Summly (que já foi integrado aos apps para iPhone do Yahoo!) e os restantes 20% planejando novos desafios. Ele prevê que haverá programas para sumarizar para vídeo fazendo o equivalente ao que o Summly faz para texto.
 
D'Aloisio está pensando em cursar uma faculdade na Inglaterra, ou talvez nos Estados Unidos, para ficar mais perto do Vale do Silício. Ou talvez nem faça faculdade. "Com certeza quero abrir outra empresa", diz ele. "Empreendedores ficam viciados nisso."
 
Fonte: The Wall Street Journal - 18/11/13


Postado em 22/11/2013


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