Como tirar seu filho da ''geração nem nem''
O número de jovens que nem estudam nem trabalham vem aumentando no Brasil.
Veja como evitar que seu filho faça parte desta estatística
 
por Luciana Fleury 
 
Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE) aponta que 1,5 milhão de jovens entre 19 e 24 anos (excluindo mulheres com filhos ou donas de casa) não frequenta a escola e também não ocupa um posto de trabalho. O fenômeno aparece em todas as classes sociais, apesar de estar muito concentrado nas camadas mais baixas. É a chamada Geração Nem-Nem (nem estuda, nem trabalha) que preocupa educadores pelo risco de comprometimento de seu futuro.
 
"Um ponto importante é não responsabilizar os jovens por isso, quando na verdade é algo de responsabilidade da sociedade, do governo, da qualidade da Educação, de questões sociais e econômicas. Não podemos simplesmente culpar o jovem dizendo que é ele quem não tem interesse, que não quer se mexer, que não busca oportunidades", alerta Cynthia Bisinoto Evangelista de Oliveira, professora de Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem na UnB (Universidade de Brasília).
 
A opinião é apoiada pelo Alexandre Prates, especialista em liderança e sócio-fundador do ICA (Instituto de Coaching Aplicado). "A escola está longe do jovem de hoje, conectado, ligado em tecnologia, que não vê como os conteúdos apresentados na sala de aula têm relação com a vida dele", afirma, complementando que mesmo o mercado de trabalho não consegue se mostrar atraente para este público. Prates elenca os "3 Is da nova geração" que atrapalham esta relação: Impaciência ("Ou me satisfaz imediatamente ou não quero"), Inconsistência (causada pela avalanche de informações a que se têm acesso atualmente, o que não permite um aprofundamento do conhecimento), Iniciativa (vontade de mudar que nem sempre é devidamente valorizada ou bem trabalhada).
 
Diante desta dura realidade, a pergunta que fica é: como os pais podem agir para evitar que seus filhos façam parte desta estatística, ainda mais em uma idade em que não adianta obrigar o filho a ir para um caminho ou para outro, já que a tendência é ele se tornar um problema na escola, não frequentando as aulas ou tendo posturas inadequadas ou mesmo agindo de forma a simplesmente não parar em emprego algum?
 
O primeiro ponto é saber que é preciso atacar a questão. "Apesar da dificuldade, os pais não devem ser omissos e ficar empurrando o problema para frente, achando que uma hora este jovem irá se encontrar e terá motivação para o estudo. Fechar os olhos só irá agravar as coisas", alerta José Aloyseo Bzuneck, membro do grupo de pesquisa "Motivação de alunos e professores" da pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina.
 
Apesar de não existir uma saída fácil para a situação, os três especialistas apontam caminhos que podem ajudar. Confira:
 
1. Valorizar o estudo
É preciso deixar claro que estudar é importante. Mas nada de sermão. O ideal é aproveitar "ganchos" como uma reportagem na televisão ou no jornal que mostre como quem tem estudo é mais bem remunerado, por exemplo.
 
2. Envolver outras pessoas no assunto
O jovem precisa escutar a mesma coisa diversas vezes, ditas por pessoas diferentes para que o conceito comentado passe a ser relevante para ele. Avôs, tios ou amigos da família que sejam visto pelo jovem como referências devem conversar com ele, mostrando como o estudo (ou a falta de) impactou suas vidas; contando o que mais gostam em suas profissões e coisas curiosas e divertidas de seus trabalhos, vida escolar e professores; comentando as conquistas obtidas pelo estudo e trabalho; etc.
 
3. Criar situações para que o jovem tenha contato com o mundo do trabalho
Vale indicar para seu filho vídeos na internet, programas de TV e estimular que ele vá a palestras e eventos que falem do ambiente corporativo e de empreendedorismo. Outra boa dica é aproveitar oportunidades nas quais ele possa conhecer os locais onde você, amigos e outros familiares trabalham.
 
4. Evitar passar uma visão negativa do trabalho
Reclamar constantemente do chefe, falar mal de colegas, mostrar-se sempre estressado ou desestimulado com o emprego são atitudes que, claro, não irão contribuir para que seu filho se sinta motivado a trabalhar.
 
5. Ampliar as possibilidades de escolha
É importante mostrar que existem inúmeras opções tanto para que ele continue aprendendo (como cursos profissionalizantes ou mesmo cursos livres e de menor duração de temas específicos sobre os quais ele tenha interesse) quanto formas de atuação profissional (ele pode ser contratado por uma empresa, ser autônomo ou mesmo empreendedor).
 
6. Apostar nos apelos que motivam os jovens
Nesta idade, há o desejo de no futuro ser bem-sucedido, constituir família, ter independência financeira, ser feliz. São estes os argumentos que devem ser usados para indicar porque vale a pena estudar e trabalhar.
 
7. Estabelecer negociações e criar desafios
Hoje, os jovens têm acesso a bens (como telefone celular) e uma gama de opções para "passar o tempo" (como internet, games), muitas vezes patrocinados pelos pais (que pagam a conta do celular, por exemplo). Uma boa estratégia é tirar o jovem desta zona de conforto, na qual ele tem o que deseja sem ter de retribuir com nada.
 
8. Nunca desvalorizar o jovem ou compará-lo com irmãos ou amigos
Não ajuda em nada para a autoestima do seu filho chamá-lo de "vagabundo" ou ficar mostrando como um primo está se saindo bem no emprego ou já entrou na faculdade. Apontar um exemplo é bem diferente de fazer comparações. A postura deve ser a contrária: indicar os aspectos positivos da personalidade de seu filho e ressaltar como ele se sairia bem aprimorando-os ainda mais.
 


Postado em 03/12/2013


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