Como orientar seu filho a usar a internet de modo seguro
Guia para você proteger seu filho dos perigos da rede
 
por Marion Frank 
  
Segurança, na internet, é colocada em risco, quando: a) o menino de nove anos gosta de postar fotos dele com a família; b) um de seus amiguinhos configura o perfil, dizendo ser mais velho só para atrair as amigas da irmã, de 14 anos; c) ela, por sua vez, usa a rede social para marcar encontro com um desconhecido; d) a amiga dela não quer ir junto, pudera! Ela ainda se recompõe da perseguição de um "stalker", na web.
 
Essas são situações criadas com alguns dos resultados da pesquisa TIC Kids Online Brasil, que entrevistou mais de 1500 crianças e jovens, em 2012. Ou seja: 86% dos entrevistados possuem perfil com foto na internet, 23% já usaram a rede para contatar desconhecidos e 22% já passaram por uma situação constrangedora. Conclusão? "Não são apenas amigos que navegam na internet", lê-se na cartilha da SaferNet Brasil (www.safernet.org.br), que defende os direitos humanos na internet. "Por isso, deve-se ter atenção e cuidado ao navegar".
 
Como ninguém sabe ao certo o que fazer, cada família (e escola) opta por um modo de conduta. "O comportamento deve ser idêntico ao que se assume em sociedade", recomenda Luciana Allan, do Instituto Crescer. "Se existem direitos e deveres em casa e na escola, também existem na rede", confirma Juliana Cunha, da SaferNet Brasil. E, mesmo na ausência de uma ética instituída, existe o bom senso. "Segurança, na internet, é tarefa a ser resolvida por pais e professores", aponta Sonia Bertocchi, do blog Lousa Digital. A seguir, dicas que orientam pais (e professores) em nome da navegação segura de filhos (e alunos) na internet.
 
1. É preciso educar os mais jovens a se comportar na internet.
As crianças já nascem mexendo na internet, mas isso não significa que elas sabem como agir. Cabe aos pais orientar como deve ser a navegação na internet. "É igual ao que acontece em qualquer outro momento da vida de uma criança, que aprende a se portar com os mais velhos, a ter maneiras à mesa etc.", exemplifica Luciana Allan. Só que isso não acontece de modo automático. "Em algum momento, é preciso ensinar à criança o ser e o estar na rede", diz a educadora Sonia Bertocchi. Em suma, o código de conduta, a ética. "O que não pode ser entendido de modo diferente à ética que se deve ter no trânsito, no trabalho etc.", reforça Luciana. Afinal, o respeito ao próximo tem o mesmo valor na internet.
 
2. Segurança na internet está relacionada ao tempo de uso do computador, do tablet etc. Uma questão de rotina, que deve ser seguida com disciplina
Crianças precisam ter o dia a dia organizado - hora de comer, de brincar, de tomar banho, de estudar e também de se conectar a internet. "E isso não é diferente das outras atividades diárias da criança, é preciso criar horários razoáveis de acordo com a maturidade e o interesse dela por navegar...", sugere Sonia. O importante, ela acrescenta, é estabelecer um combinado, que deve ser seguido à risca para dar certo. Porque o perigo não mora apenas no computador, mas sim no Ipad ou no celular que se tem acesso no escuro do quarto etc. Por isso, é fundamental criar uma relação de confiança com a criança desde cedo, fazendo prevalecer o combinado.
 
3. Vale a pena bater na tecla, repetir a ladainha para seu filho perceber o grande perigo - seja texto ou seja imagem, basta cair na rede para ficar armazenado
Seu filho faz ideia do que deve ou não postar na rede social? Atenção: quanto mais cedo você trabalhar com ele o significado de privacidade melhor! Aos poucos, ele irá aprender a categorizar os contatos, colocá-los em ordem de importância - pode ser imagem ou comentário... Sonia Bertocchi orienta com precisão a respeito: "É preciso trabalhar logo com a questão da privacidade, eu diria que a partir dos quatro anos a criança já consegue entender por que ela não deve divulgar fotos pessoais na rede...". Já Luciana Allan chama a atenção sobre o valor da individualidade. "Navegar de modo seguro significa não se expor, nem ficar ostentando do tipo ‘o que eu tenho’, ‘o que vou comprar´... Os pais precisam estimular seus filhos a compartilhar ideias na internet, evitando a valorização excessiva do que é material", diz.
 
4. A internet é um imenso espaço público. Os documentos que seu filho compartilha com os amigos dele não ficam apenas entre eles
Sim, a internet torna pública qualquer informação pessoal que for divulgada numa rede social, por exemplo. Por isso, atenção à ressalva de Juliana Cunha, da SaferNet Brasil: "As redes são bacanas para encontrar amigos e divulgar comentários, fotos e vídeos... Mas há um perigo: os cadeados e bloqueios de acesso podem ser removidos por pessoas mal intencionadas - e os dados acabam sendo manipulados por quem deseja ofender e mesmo chantagear." Como reagir? A cartilha do SaferNet, disponível no site da associação, dá uma pista: "Caso seja agredido por estranhos online, configure imediatamente a sua conta para bloquear os contatos indesejados".
 
5. Pais e professores devem assumir o compromisso de se manter informados sobre a internet
É preciso conhecer os ‘cantos’ desse território para ser capaz de avaliar o que acontece diariamente entre seu filho/aluno e a rede, "... ou se corre o risco de generalizar, continuando a lidar com um universo desconhecido", alerta Sonia Bertocchi. O que ela aconselha fazer? "Mamãe e papai deveriam fazer um grande ‘tour’, idem o professor... Afinal, o que a internet oferece? YouTube, WhatsApp, o que é isso?" Em tempo: há sites que apresentam a rede em detalhe, vale a pena pesquisar e seguir a curiosidade. "Pais que aprendem a navegar saberão orientar os filhos a privilegiar a navegação com segurança", garante Sonia. "É igual à leitura - pais com hábito de leitura têm filhos mais afeitos a lerem também".
 
6. Pais precisam encontrar tempo para dedicar aos filhos. Só assim serão capazes de acompanhar as mudanças que acontecem com enorme velocidade no universo da internet
Entre outros exemplos, é preciso evitar aquele comportamento típico, "... de quem chega cansado do trabalho e não quer saber mais de se aborrecer em casa, pegando no pé do filho que gasta o tempo inteiro grudado na tela do computador...", alerta Luciana Allan. Claro, se existir uma relação de confiança, será bem mais fácil aos pais, por exemplo, participar das redes sociais dos seus filhos - e assim conseguir algo muito importante, acompanhar que tipo de site eles gostam de acessar, com quem preferem trocar mensagens, que chats visita e assim por diante. "Mostre que você se interessa em navegar na internet e que gostaria de participar desse tipo de atividade com seu filho...", sugere Sonia, facilitando a aproximação.
 
7. Computadores devem estar instalados em lugar de passagem - e não atrás de uma porta com chave.
Desse modo, será mais difícil para o seu filho acessar um site adulto ou algo não recomendável para a idade dele, por exemplo. Ou mesmo, sofrer algum tipo de constrangimento na rede social, sem despertar a atenção de quem vive ao lado dele. Seu filho acaba de receber e-mail de conteúdo que explora um traço físico, provocando humilhação? É caso de ciberbullying, um tipo de violência que precisa ser combatido imediatamente com a ajuda dos adultos! Se não souber o que fazer, procure apoio especializado, como o do SaferNet Brasil - que dispõe de um "helpline", canal gratuito de aconselhamento para problemas de toda espécie provocados pela internet.
 
8. Não há filtro capaz de tornar 100% segura a navegação na internet
Apesar da boa oferta de filtros que hoje podem ser adaptados aos sistemas de navegação (Explorer, Google Crome etc.) - e que conseguem evitar o acesso a sites em nada recomendados para os mais jovens -, segurança total não existe ao navegar na rede, assim como o que acontece na programação da TV. A título de exemplo, e se uma imagem forte, pornográfica, aparecer de repente na tela do computador, você acompanhando a navegação do seu filho, como deve reagir? "Ser frontal, explicar porque aquele conteúdo nada tem a ver com a vida dele, com a rotina da casa em que vive, evitando fugir desse tipo de conversa...", aconselha Luciana. Já Sonia aponta o fato de a internet deixar tudo transparente, revelando as falhas - como a falta de diálogo entre os integrantes de uma mesma família. "Filtros podem ser úteis, minimizam o acesso, mas não são a solução... Na verdade, eles funcionam como muletas dos pais que querem se livrar de agir com disciplina na relação com os filhos".
 
 


Postado em 03/12/2013


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