Seu filho não passou no vestibular? Veja como ajudar
Se agressiva, reação inicial dos pais pode comprometer o desempenho futuro dos filhos
 
por Luciana Fleury 
 
Matenha o autocontrole diante da frustação, estabeleça uma conversa de acolhimento e busque entender os fatores que levaram para a não aprovação.
 
A divulgação da tão aguardada lista de aprovados dos processos seletivos das mais concorridas universidades do País ou a classificação no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) gera grandes alegrias e imensas decepções. Para alguns jovens, representa uma conquista, mas para muitos outros, uma derrota. E para os respectivos pais é tão fácil saber como reagir no primeiro caso, de vitória, quanto difícil agir diante da não aprovação. A questão é que é exatamente esta reação que precisa ser muito bem dosada para não piorar a situação, comprometendo o desempenho futuro. "Os pais precisam saber que as primeiras palavras, ditas logo após a constatação de que o filho não foi aprovado, têm um impacto muito forte no jovem e ficarão marcadas, influenciando a atitude que ele tomará a partir de então. Usar palavras agressivas, que desqualificam ou humilham o filho, não irá contribuir em nada", alerta Luciana Barros de Almeida, presidente nacional da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia). O melhor a fazer é manter o autocontrole diante da própria frustação e estabelecer uma conversa de acolhimento, mas que também busque entender os fatores que levaram para a não aprovação. Luciana lembra, para pais e vestibulandos, a própria raiz da expressão "processo seletivo", ou seja, "alguns entram, outros não. Não foi desta vez, mas poderá ser na próxima desde que identificado o que precisa ser ajustado".
 
Confira os três passos para não deixar o fracasso desta tentativa contaminar os necessários esforços para tentar novamente.
 
Passo 1: Ter uma conversa inicial
A primeira coisa a fazer é acolher o jovem, dizendo coisas simples como "não foi desta vez", reconhecendo os esforços verdadeiramente realizados e mostrando ao filho que há confiança de que ele é capaz de tentar de novo e conseguir. Depois disso, é muito importante buscar, de imediato, conversar sobre o que aconteceu para se chegar ao resultado frustrado. Os pais devem primeiro deixar o jovem expor sua visão sobre o que pode ter contribuído para a não aprovação, como uma maior dificuldade em determinada matéria, por exemplo, para depois apresentar sua opinião. É esse o momento de apontar, com tranquilidade e sem alterar tom de voz ou querer passar um "sermão", falhas no empenho, caso existam. "Se o pai perceber que o filho não se dedicou o mínimo necessário aos estudos para ter um bom desempenho deve apontar isso e mostrar com situações claras, como tempo excessivo passado em redes sociais ou poucas horas de estudo diário, por exemplo", afirma Luciana. 
 
Não deve ser esquecido também o fator emocional e questões relacionadas ao jeito de responder a prova em si. Muitas vezes, dedicação, empenho e conhecimento do conteúdo estavam adequados, mas tudo foi prejudicado pela ansiedade e pelo nervosismo. Ou ainda, faltou habilidade para responder a prova no tempo disponível, resolvendo primeiro as questões mais fáceis para depois se dedicar às difíceis, erro no cálculo do tempo a ser dedicado à redação etc. 
 
Além de listar os erros, é importante elencar os acertos, lembrando que eles também existiram. Conversar sobre o que funcionou ajuda a reforçar estes pontos como os que devem ter continuidade e também serve de motivação.
 
Passo 2: Respeitar o "tempo de recuperação"
Após a realização do balanço de acertos e erros, a psicopedagoga Luciana Barros recomenda que a família deixe de lado o assunto por alguns dias para que o jovem possa trabalhar seus sentimentos. "A sensação para o jovem é de rejeição. Ele foi rejeitado por um sistema, não foi escolhido, e precisa de um tempo para sofrer esta dor para, só então, estar apto a pensar e conversar sobre o que fará", explica. A duração ideal deste período varia de jovem para jovem, mas geralmente duas semanas são suficientes para que seja possível retomar o assunto com mais tranquilidade.
 
Passo 3: Estabelecer estratégias em conjunto
Quaisquer que tenham sido os fatores elencados como entraves à aprovação, a constatação é uma só: é preciso mudar de atitude diante deles e traçar uma estratégia combatê-los. Por isso, é preciso voltar ao assunto, mas com uma proposta de superação do que passou e visão de futuro. Nesta hora, o objetivo deve ser somente estabelecer o que será feito e que instrumentos ou apoios são necessários, respeitando a realidade da família e suas condições. 
 
A presidente nacional da ABPp vê os cursos pré-vestibulares como muito positivos por orientarem o estudo, focarem nas técnicas de resolução de provas e manterem o jovem próximo de seus concorrentes, dando uma boa visão do esforço contínuo necessário. Caso o vestibulando já tenha feito cursinho no ano anterior, ela sugere que se avalie uma troca de escola. "Às vezes novos colegas, a troca de metodologia e a mudança na rotina podem ajudar, mas isso tem de ser feito em comum acordo com o jovem", diz. Ela também recomenda a inclusão de alguma atividade cultural ou esportiva na agenda. "Dançar, tocar algum instrumento musical, pintar, correr ou jogar futebol, são inúmeras as possibilidades que trabalham aptidões importantes como concentração e responsabilidade e ajudam a equilibrar o ritmo de estudos", comenta.
 
Por fim, é preciso analisar se é preciso a busca por ajuda psicoterapêutica no caso da identificação de entraves emocionais. "Muitas vezes o jovem diz que não precisa ou não quer a ajuda de um psicólogo por preconceito ou medo de ter de se expor. Afirmar que o trabalho será focado apenas na questão do preparo para o vestibular ajuda na aceitação", orienta Luciana. Segundo ela, o ideal é procurar ajuda logo no início da volta aos estudos, cerca de 30 ou 40 dias depois. "Vale lembrar que a terapia precisa de tempo para trazer resultados e após esses dias iniciais de estudo, o jovem já terá elementos para conversar com o terapeuta, que o ajudará a lidar com as questões emocionais que atrapalharam o desempenho", finaliza Luciana.
 


Postado em 03/02/2013


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