Como escolher um curso extracurricular para meu filho?
Atividades depois das aulas normais são importantes para aprimorar o desenvolvimento da criança
 
por Anna Paula Buchalla e Iana Chan 
 
O início do ano escolar é o momento certo para definir como será a rotina do aluno. Além de determinar o horário da lição de casa, do estudo, do computador e do descanso, os pais se deparam com o desafio de preencher o tempo ocioso da criança ou do adolescente. 
 
Que tal escolher com seu filho algumas atividades extracurriculares para esse ano? É uma ótima opção para evitar que ele passe o dia todo sozinho em frente à televisão ou ao computador, e os cursos ainda contribuem para o desenvolvimento de diferentes capacidades. Autoestima e timidez podem ser trabalhadas em um curso de teatro, enquanto raciocínio lógico e coordenação motora são desenvolvidos nas aulas de robótica, por exemplo. Diversas pesquisas indicam também que a responsabilidade e autonomia estimuladas nos cursos extracurriculares colaboram para um melhor rendimento escolar.
 
Um estudo feito pela Sociedade para Pesquisa do Desenvolvimento da Criança, nos Estados Unidos, mostrou que enquanto 40% dos meninos e meninas entre 5 e 18 anos não tinham nenhuma atividade fora da escola, entre 3% e 6%, gastavam vinte horas por semana em cursos e aulas antes ou depois do horário escolar. Não por acaso, eram justamente esses últimos os que demonstravam melhor preparo educacional e psicológico. "Estimular o raciocínio significa aprimorar o desenvolvimento das crianças, o que resulta em adolescentes seguros e adultos bem-sucedidos", diz a psicopedagoga Adriana Fóz, da Universidade Federal de São Paulo.
 
Confira as dicas dos especialistas:
 
1. Como escolher um curso extracurricular ou extraescolar para meu filho?
 
Os pais devem levar em conta a necessidade da criança, como no caso do reforço escolar, mas o desejo dela deve ser determinante. "Os pais não devem projetar em seus filhos sonhos não realizados", atenta a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto.
 
Ofereça as opções para a criança e explique o que é cada uma. Se a criança mostrar vontade de fazer determinado curso, os pais devem conversar sobre essa escolha (do que ela gosta? Por quê? O que pretende com esse curso?) e fazer alguns combinados, por exemplo, de que ela irá permanecer na atividade por algum período de tempo (não muito longo). Isso a fará entender sobre sua responsabilidade em relação ao curso e irá evitar que ela desista facilmente.
 
2. Que cuidados são necessários na hora da escolha?
 
Muitos pais se preocupam, legitimamente, com o mercado de trabalho competitivo e, desde cedo, querem preparar seus filhos oferecendo atividades que estimulam suas habilidades. Ou então, há aqueles pais que oferecem a seus filhos a oportunidade que gostariam de ter tido na infância, como o sonho de ser bailarina ou o gosto por música clássica. 
 
A presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto, alerta que os pais precisam avaliar o que é compatível com a habilidade e desejo da criança. "Se a criança não quer, essa decisão precisa ser revista", afirma.
 
Muitas vezes, a atividade é prioridade dos pais e não da criança e essa expectativa atrapalha a evolução no curso. É preciso respeitar o ritmo da criança.
 
3. Como acompanhar as atividades extracurriculares?
 
Como qualquer outra atividade de seu filho. Os pais devem seguir a evolução do curso e conversar sempre com o professor. É importante verificar como é a participação da criança e se a atividade não está pesada demais e a estressando.
 
4. Meu filho começa várias atividades, mas não termina nenhuma. O que fazer?
 
É preciso mostrar às crianças desde cedo que fazer essas escolhas tem a ver com responsabilidade. Se seu sempre pede para fazer algum curso e depois de 2 meses muda de ideia, há algo de errado. "Se a criança pede, faça um trato com ela. É preciso fixar o compromisso de não abandonar o curso", orienta a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto. Estabelecer limites e responsabilidades ajudam a criança a entender que suas escolhas têm consequências. Achar que nada está bom é muito ruim para a personalidade da criança. "Ela vai achar que a vida é assim, criando uma ansiedade muito grande de quem fez tudo e não faz nada", explica Quézia.
 
5. Qual é a quantidade ideal de cursos?
 
A agenda da criança precisa ter um espaço livre para o lazer. Os pais não podem esquecer que crianças precisam de tempo para brincar, e adolescentes, de pausa para descansar. 
 
Além disso, oferecer muitos cursos pode frustrar a criança, já que ela não conseguirá se dedicar à nenhuma atividade. O tempo livre também é importante para sua saúde mental: muitas vezes os pais entendem o curso extraescolar, natação, por exemplo, como um lazer, porém a criança tem uma rotina e precisa se aplicar à aula. "A criança deve poder escolher o que fazer nas horas livres, sem ter o compromisso da rotina", avalia a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto.
 
O tempo de convívio com os pais também é necessário. "Nenhuma atividade vai substituir a presença do pais na vida dessa criança, o conversar e o compartilhar", defende. Ela demonstra que muitos pais não têm tempo de acompanhar seu filho e, por isso, o enchem de atividades como forma de amenizar a culpa por não poder dar atenção a essa criança. "O tempo de convivência é mais rico", finaliza a psicopedagoga.
 
 


Postado em 19/02/2014


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