Os cuidados que você deve ter com a visão do seu filho
Lágrimas, intolerância à luz, dor de cabeça, coceira, esbarrões nos móveis... Esses podem ser sinais de que o seu filho não está enxergando como deveria. Descubra o que pode atrapalhar a visão dele e o que fazer para que ele continue vendo e aprendendo com o universo ao seu redor
 
Por Adriana Toledo
 
Seu filho nasce, abre os olhos, luta contra a claridade da sala de parto e se depara com o mundo pela primeira vez. Mas tudo não passa de um grande borrão. Só a partir de 6 semanas de vida, ele conseguirá apreciar o rosto de seus pais. É o primeiro lampejo de um universo de informações visuais ao seu dispor. Por volta de 3 meses, ele já será capaz de seguir objetos com os olhos. Assim por diante, uma infinidade de cores e formas penetrará, por meio da visão, para constituir sua percepção da realidade. E qualquer obstáculo que o impeça de enxergar com perfeição irá privá-lo desse repertório, crucial por estimular o desenvolvimento cerebral e da própria visão. “Isso compromete a capacidade cognitiva, motora e até afetiva, já que gestos e condutas sociais são assimilados por observação”, alerta a neonatologista Nicole Gianini, da Sociedade Brasileira de Pediatria.
 
O Brasil carece de estatísticas, mas o Conselho Brasileiro de Oftalmologia registra, anualmente, cerca de 33 mil crianças com perda de visão no país. “Felizmente, quase um terço dos gatilhos do problema podem ser prevenidos ou tratados”, garante a oftalmologista Marcella Salomão, diretora da Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa. É um forte argumento para dedicar a devida atenção à saúde ocular do seu filho, principalmente no período que vai da gestação a 1 ano e meio de idade – fase crítica de formação do sistema visual. Fique por dentro dos cuidados fundamentais.
 
Como proteger a visão do bebê durante a gravidez?
Alguns micro-organismos, como os que causam toxoplasmose, sífilis e rubéola, provocam uma inflamação nos vasos sanguíneos que nutrem o sistema visual do bebê, danificando a retina, onde se formam as imagens. Mas um pré-natal adequado, com análise do histórico da gestante e exames de sangue específicos, possibilita a identificação dessas doenças na mãe e o uso de medicamentos que diminuem o potencial de agressão do micróbio, prevenindo complicações na criança.
 
Por que a visão dos prematuros é mais vulnerável?
Bebês que chegam antes da hora podem apresentar a chamada retinopatia da prematuridade, uma alteração nos vasos sanguíneos capaz de levar ao descolamento da retina. Por isso, todo prematuro precisa de acompanhamento rigoroso e, se necessário, deve passar por uma cirurgia que repara eventuais lesões em estágio inicial.
 
Qual a primeira providência necessária logo após o parto?
Crianças que nascem de parto normal devem receber a aplicação de um colírio de nitrato de prata ou de iodopovidona nas primeiras horas de vida. Isso evita a contaminação por bactérias como o gonococo, que podem estar presentes no canal vaginal da mulher e têm potencial de desencadear uma conjuntivite grave no recém-nascido.
 
O que é o teste do reflexo vermelho?
Conhecido como “teste do olhinho”, o exame é indolor e consiste na incidência de um feixe de luz através dos olhos da criança. Desse modo, o especialista consegue perceber alterações no reflexo, detectando doenças como a catarata congênita, o glaucoma e o retinoblastoma, que requerem tratamento precoce para evitar danos irreversíveis. Trata-se de um método de rastreamento já obrigatório em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, que deve ser realizado na maternidade ou no consultório, ainda nos primeiros dias de vida. O ideal é repeti-lo aos 3 meses, para assegurar que nenhum problema surgiu após a primeira avaliação.
 
Por que essas doenças exigem tratamento urgente?
A catarata é a opacidade do cristalino, a lente ocular, o que impede que a criança receba estímulos visuais para que o cérebro e os olhos aprendam a trabalhar harmonicamente. É essencial detectá-la no estágio inicial para que a cirurgia corretiva seja realizada logo cedo – por volta dos 3 meses –, antes que a deficiência visual se instale. Já o glaucoma consiste em um aumento da pressão ocular, que afeta o nervo óptico, impedindo-o de cumprir sua função de conduzir imagens da retina ao cérebro. Antes que isso aconteça, é preciso controlar a pressão com medicamentos. Por fim, o retinoblastoma é um tipo de câncer que, embora seja raro, tem seu pico de incidência na infância e representa risco de vida e, por isso, exige rapidez no diagnóstico.
 
Que sinais indicam problemas oculares na infância?
Em bebês, fique atento à presença de lacrimejamento frequente, intolerância à luz, vermelhidão e falta de interesse pelo ambiente que os rodeia. Nas crianças maiores, os sinais de alerta são dor de cabeça, coçar muito os olhos, aproximar demais os objetos para enxergá-los e esbarrar sempre em móveis, acidentalmente. Em qualquer idade, avise o médico sobre anormalidades na cor da pupila e no reflexo registrado em fotografias – se um dos olhos apresentar uma mancha branca, por exemplo.
 
Com que frequência a criança deve ser examinada?
Após o primeiro rastreamento, ela deve retornar ao consultório com 3 meses, não só para repetir o teste do reflexo vermelho, mas para verificar a existência de outras alterações, como o estrabismo – um desvio no alinhamento dos olhos. Depois, o ideal é visitar o oftalmologista uma vez ao ano.
 
Qual a importância de tratar o estrabismo precocemente?
Além de distorcer as imagens, o que acarreta a perda gradual de visão, o estrabismo fica mais difícil de ser corrigido à medida que o tempo passa e sua musculatura se enrijece. Por isso, os médicos estipulam que o limite para a intervenção é de 6 anos. Antes, porém, eles podem prescrever o uso de um tampão no olho sadio para exercitar o estrábico.
 
Como agir em caso de problemas como miopia e hipermetropia?
É importante ter em mente que qualquer erro de refração interfere na integração entre olho e cérebro e traz prejuízo à visão – a chamada ambliopia – se não for tratada até os 6 anos no máximo. O momento de intervir varia de acordo com a avaliação médica, mas há situações em que o bebê precisa usar óculos já com 1 ano e meio. Por isso, as consultas oftalmológicas periódicas são tão importantes, mesmo que a criança não se queixe de nenhum desconforto. Vale destacar que um mau rendimento escolar é indício de problemas visuais.
 
Como prevenir acidentes que prejudicam a visão?
Retire do alcance do seu filho os produtos de limpeza e os medicamentos. Se houver contato com os olhos, lave com água corrente e leve-o ao oftalmologista. Tome cuidado com objetos pontiagudos, como canetas. Em caso de traumas fortes, como os causados por brincadeiras com bolas, leve seu filho ao médico principalmente se houver mancha ou ele relatar flashes luminosos – mas há risco de problemas mesmo se os olhos parecerem íntegros. É preciso descartar o descolamento de retina, que requer tratamento no prazo de 72 horas. Por fim, as crianças devem se expor ao sol usando óculos escuros com proteção UV para evitar que, lá na frente, desenvolvam problemas como a degeneração macular, que leva à cegueira.
 
Outra fonte: Marcus Sáfady, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia
 
Fonte: Revista Crescer 


Postado em 11/03/2014


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