Aluno organizado tem 4 meses de aprendizado à frente, aponta estudo
 
Organização é importante para avançar em Matemática, enquanto a abertura para novas experiências
faz a diferença no aprendizado de Português
 
Bárbara Ferreira Santos e Paulo Saldaña, do Estadão Conteúdo 
 
São Paulo - A experiência indica que alunos organizados e com sede pelo conhecimento vão melhor na escola. Mas, pela primeira vez, uma avaliação em grande escala traduziu em números o impacto das competências socioemocionais (como responsabilidade, autoestima e estabilidade emocional) no aprendizado dos estudantes. Os dados ainda revelam a importância do incentivo dos pais e como esse esforço pode ajudar a superar barreiras socioeconômicas.
 
Um aluno com nível alto de conscienciosidade (organização e responsabilidade), por exemplo, pode apresentar em Matemática mais de 4 meses de aprendizado à frente de um estudante que tenha esse parâmetro mais baixo.
 
Essa característica, no entanto, não é tão influente em Português. Para esse domínio, competências como o chamado lócus de controle (identificado com o protagonismo) e a abertura a novas experiências são as que fazem a maior diferença: numa distância também de 4 meses a mais de aprendizado.
 
Os resultados aparecem em uma avaliação inédita realizada no Rio de Janeiro com 25 mil crianças pelo Instituto Ayrton Senna (IAS) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O estudo será apresentado hoje, em evento realizado em São Paulo.
 
De acordo com o educador Mozart Neves, diretor de inovação e articulação do IAS, os resultados podem ser um grande "aliado" na tarefa de melhorar o desempenho dos alunos. "A partir deles, podemos estruturar uma política pública. Essas habilidades não substituem nosso esforço em melhorar o ensino, mas podem acelerar os resultados."
 
Neves ressalta o resultado positivo do incentivo dado pelos pais dos estudantes. A avaliação concluiu que só esse estímulo pode diminuir em mais de 20% a diferença entre alunos com baixa e alta conscienciosidade.
 
Esse peso é duas vezes maior do que a diferença vista nessa habilidade entre ricos e pobres, por exemplo. A escolaridade da mãe - um atributo que apresenta forte ligação com o sucesso acadêmico - tem impacto quase nulo quando se trata da questão socioemocional.
 
Na opinião do escritor e jornalista canadense Paul Tough, que estuda as habilidades não cognitivas na educação, é preciso garantir mais "proteção" para as crianças de origem pobre.
 
"Em ambientes ricos, as crianças são superprotegidas das adversidades e sofrem porque não tiveram a oportunidade de superar os seus próprios fracassos. Em áreas pobres, porém, as crianças já tiveram muitas adversidades e precisam, mais do que tudo, de proteção."
 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Postado em 25/03/2014


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