Estudar se aprende na escola

Tomar notas, relembrar dados e selecionar informações importantes são ferramentas úteis durante toda a vida escolar

O filme é sempre o mesmo: às vésperas das provas, muitos alunos começam a correr atrás do prejuízo para evitar que as notas afundem no vermelho. Munidos de livros e cadernos, precisam "rachar" de estudar, muitas vezes usando a decoreba como um método de estudo. Porém essa não é a melhor maneira de ativar o conteúdo visto ou aprender aquele que ficou malcompreendido. Há estratégias que ajudam não só na hora do aperto mas também durante todo o processo educacional. E, como esse não é um saber intuitivo, você deve trabalhá-lo em sala de aula. "Ensinar a estudar é oferecer à turma todos os recursos e as ferramentas disponíveis para que cada um possa se apropriar deles e, quando precisar, usar o que for mais adequado ao seu perfil ou ao conteúdo em questão", explica Cecília Leite, coordenadora da Escola Digital Integrada, da Universidade de Brasília (UnB). 

Aprender procedimentos de estudo é tão importante quanto o conhecimento conceitual para o desenvolvimento cognitivo. "A escola deve capacitar crianças e jovens a construir e gerenciar o conhecimento. E um conceito central nesse modelo é o uso de meios e habilidades com os quais eles possam lidar com as exigências da vida escolar, social e profissional", afirma Charles Hadji, professor da Universidade Pierre Mendès-France, na França. Esse processo de construção da autonomia passa pela capacidade de eleger informações importantes, em um texto, em uma aula expositiva ou durante uma pesquisa, que, muitas vezes, é o ponto de partida para o estudo. 

Existem formas de estudar ligadas à leitura, como fazer resenhas e comentários, e outras usadas em situações em que o foco não é um texto, como tomar notas de uma palestra. Na Matemática, além de fazer cálculos, os alunos devem elaborar registros para entender e recuperar o conteúdo visto. Os perfis de alunos também variam: há os que aprendem melhor ouvindo, os que preferem ler sozinhos e outros que se apoiam em esquemas visuais. Para atender a todos eles, é importante trabalhar múltiplas estratégias em sala de aula. "Dessa forma, o professor também possibilita que as crianças desenvolvam habilidades diversas, bastante necessárias dependendo da situação", diz Maria Márcia Sigrist Malavasi, coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Processo contínuo 

"Existe um equívoco em achar que estudar é algo natural", nota Ana Lúcia Cortegoso, coordenadora do ProEstudo e docente do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). "O educador pode servir de modelo ao compartilhar seus procedimentos de estudante experiente com a turma." Por exemplo, o professor de História ou de Ciências assiste a um documentário e traz suas anotações para mostrar à turma. Progressivamente, todos percebem a importância dessas estratégias na obtenção do conhecimento e passam a eleger suas preferidas. 

Para que sejam efetivos, os procedimentos de estudo devem ser trabalhados juntamente com a temática ministrada em sala de aula nas diversas áreas do conhecimento. Além de planejar situações didáticas para incluir esse aprendizado, é preciso criar condições que autorizem e habilitem crianças e jovens a assumir sua responsabilidade como estudantes e leitores. Alterne momentos de estudo e leitura coletivos (que são efetivos, mas podem criar uma relação de interdependência por parte dos alunos) e individuais (que favorecem a autonomia). 

No artigo A Autonomia do Leitor: Uma Análise Didática, a pesquisadora Delia Lerner explica que é preciso articular dois processos: o ascendente, que parte do estudo individual para o coletivo, e o descendente, que começa no coletivo e culmina em um trabalho individual. O primeiro é apropriado para momentos em que as produções de cada um podem ser uma fonte de reflexão conjunta. Já o processo descendente auxilia na leitura de textos difíceis ou com conteúdos novos, em que as intervenções do professor ajudam as crianças a se familiarizarem com a temática. Bem orientados, os alunos vão se tornando independentes. A formação de duplas de estudo possibilita que eles assumam uma troca benéfica de conhecimentos. "Isso é trabalhar produtivamente com a diversidade, em vez da simples aceitação das diferenças", diz Delia. 

Ao alcançar resultados, os alunos se sentem motivados a continuar estudando. "Na Educação Infantil, é comum ver crianças curiosas e afoitas por novas descobertas. Porém parece haver um progressivo desinteresse no decorrer do processo educativo. Elas desenvolvem estratégias muito interessantes para jogar um videogame, por exemplo, mas não para estudar. É preciso estimulá-las a usar suas habilidades também para aprender", diz Silvia de Mattos Gasparian Colello, professora da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Alfabetização e Letramento. Afinal, é o interesse em pesquisar e descobrir coisas que historicamente impulsiona o desenvolvimento das ciências e da tecnologia. Motivados e dominando as ferramentas de estudo, os alunos não só aproveitarão melhor o conhecimento desenvolvido na escola mas também sairão dela aptos a continuar estudando. "Caso contrário, o educador acaba se limitando a apagar incêndios às vésperas das avaliações e o estudo, em vez de ser contínuo, só acontece quando é necessário sair do buraco", afirma Silvia

Fonte: Revista Nova Escola

Saiba mais: 

Como ensinar 5 procedimentos de estudo


Postado em 23/04/2012


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