Seu filho é curioso? Conheça os benefícios e aprenda a estimular esta habilidade
O desejo de aprender e experimentar é bem-vindo na sala de aula e, mais tarde, em todas as carreiras profissionais. Veja como incentivar essa competência em seu filho
 
por Cynthia Costa 
 
Há 2.200 anos, Arquimedes gritou "Eureka!" ao perceber que o seu corpo deslocava a água da banheira - estava aberto o caminho para as noções de volume e densidade. Cerca de 800 anos depois, a queda de uma maçã fez Isaac Newton pensar na gravidade. E, em 2012, a pequena norte-americana Clara Lazen, de 10 anos, inventou uma nova molécula em sua aula de ciências. Isso mesmo: ali no laboratório do Ensino Fundamental, em uma escola pública de Kansas City. 
 
Pode até ser que Clara tenha dado sorte. Mas a descoberta teria passado em branco caso ela não demonstrasse a curiosidade e a iniciativa de compartilhá-la com o professor e os colegas. Quem não quer um aluno e, mais tarde, um profissional como Clara por perto? "Não existem mais profissões acomodadas. Vão se sobressair os que trouxerem algo de novo e/ou tiverem uma abertura para o novo", defende a psicopedagoga Paula Furtado. E, claro, que também saibam expressar essas novidades: "Hoje o mundo pede pessoas que saibam falar e argumentar", lembra Elizabete Duarte, coordenadora da Educação Infantil e do Fundamental do Colégio Nossa Senhora do Morumbi, em São Paulo.
 
Veja os caminhos que o Educar selecionou para que você possa trabalhar com o seu filho a curiosidade e a abertura ao novo.
 
1. Desafios mil
A criança constantemente desafiada desenvolve habilidades sem nem perceber. Jogos de tabuleiro e esportes em família, além de divertidos, são ótimos para manter a cabeça e o corpo espertos. Montar quebra-cabeças é outra atividade desafiadora, assim como resolver testes e desafios propostos por revistas e sites. Só tome cuidado, claro, para não estressar seu filho com charadas e exercícios constantes.
 
2. Você sabia que...
Como criar um pequeno curioso em um ambiente sem curiosidades? Não dá. Distribuindo livros, filmes e revistas pelas casa, você convida o seu filho a, naturalmente, dar uma espiada em assuntos diversos, que possam despertar a sua vontade de aprender. Assistir a canais de televisão mais educativos e/ou científicos, como a TV Cultura, o Discovery e o Nat Geo, também colabora. Além disso, pais curiosos certamente despertarão a curiosidade das crianças. "Filho, você sabia que hoje encontraram o fóssil de um dinossauro desconhecido na Europa?!" - está aí um gancho excelente para mergulhar no mundo dos dinos. Lembrando-se que a curiosidade é mais bem aproveitada quando acompanhada pela comunicação. Compartilhem!
 
3. Pintando o sete
A criatividade anda de mãos dadas com a curiosidade: quando uma dúvida aparece em nossa cabeça, o próximo passo é criar uma maneira de resolvê-la. E essa habilidade é estimulada quando a criança é livre para pintar e bordar. "Precisamos dar espaço para que ela possa criar", ressalta a coordenadora Elizabete Duarte, que recomenda desenhos de tema livre, por exemplo, para a faixa etária da Educação Infantil - tanto na escola como em casa. No ambiente doméstico, aliás, é importante que os pequenos tenham um lugar onde possam inventar suas modas: brincar com massinhas e tinta, montar brinquedos etc. O quintal também é um espaço maravilhoso para isso, pois, ao ar livre, os estímulos - e as curiosidades - são muitos.
 
4. Crianças de opinião
Antes mesmo que o seu filho saiba falar corretamente, ele já pode ter a sua opinião questionada. "É importante que, desde pequena, a criança saiba expor as suas ideias. Ela aprenderá, aos poucos, a argumentar", aponta a psicopedagoga Elizabete Duarte. Isso significa não impor tudo aos pequenos, mas, em vez disso, deixá-los participar de decisões do dia a dia - é claro que isso não inclui regras básicas definidas pelos pais, como tomar banho e o horário de dormir. Vamos ao zoológico ou ao teatro? Você prefere dormir em cima ou embaixo no beliche? O que você achou da aula de português de hoje? Estas e outras perguntas, inseridas na conversa cotidiana, desenvolverão o lado opinativo da criança - tão essencial para a exposição de suas ideias e para o debate com outras pessoas.
 
5. Vamos sentar em círculo?
Que tal trocar a sua mesa retangular por uma redonda? A distribuição em círculo colabora para que as pessoas se comuniquem - e a comunicação é imprescindível para a abertura a novas ideias. É ouvindo argumentos aqui, ali e acolá que a criança criará a flexibilidade necessária para manter a mente aberta. Lembrando-se, claro, que ela também precisa ser ouvida. E lembrando, mais ainda, que ela não precisa concordar com os pais! O respeito pela ideia dela a fará respeitar a ideia dos outros. O mesmo vale para o ambiente escolar: existe espaço para a comunicação onde o seu filho estuda? As carteiras são arrumadas em fileiras ou em semicírculo? Os professores propõem debates entre os alunos? O seu filho é estimulado a ver os vários lados de uma mesma questão? "A criança aprende mais quando participa mais", ressalta a psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano.
 
6. Ajuda na pesquisa
Ah, o santo Google. Antes, era preciso folhear páginas e mais páginas de enciclopédias. Agora, é só digitar, clicar e esperar 0,37 segundos. Mas, espere aí: essa não é e não deve ser a única maneira de pesquisar! "O lado bom da internet é que ela desperta o interesse em mais assuntos. O lado ruim, porém, é que existe ali todo tipo de informação, correta ou não", adverte a psicopedagoga Paula Furtado. Por isso, cabe aos pais mostrar ao filho outros caminhos de pesquisa: livros que estejam em casa, visitas a uma biblioteca da cidade, conversa com profissionais da área, ida a museus e institutos etc. Mesmo na própria internet, é interessante ajudar a criança a encontrar sites confiáveis, como os das universidades, para que ela crie esse senso crítico - e a curiosidade de descobrir informações bem apuradas.
 
7. Sem medo de arriscar
Ninguém espera que os pais estimulem o filho a sair se arriscando por aí com atividades perigosas. Mas arriscar-se pode ser mais sutil: ao montar uma peça para a família assistir, por exemplo, a criança está se expondo ao risco de ninguém apreciar a sua criação. Vestindo fantasias, criando receitas culinárias, inventando uma engenhoca para regar as plantas - essas são todas formas saudáveis de se arriscar, que incentivam a imaginação e a autoconfiança. Valorize todo tipo de iniciativa assim.
 


Postado em 08/04/2014


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