História: Como os 50 anos do Golpe Militar podem cair no vestibular
Com os 50 anos do Golpe Militar de 1964, aumentam as chances de o período da ditadura ser cobrado no vestibular. Confira alguns pontos importantes sobre o período que merecem sua atenção.
 
por Ana Prado
 
>> É golpe, revolução ou contragolpe? 
Apesar de a maioria das pessoas chamarem o que aconteceu entre os dias 31 de março e 1º de abril de 1964 de golpe, há quem o chame de “revolução”, forma usada pelos generais na época. “Há também o termo ‘contrarrevolução’ ou ‘contragolpe’, pois havia quem temesse que a esquerda estivesse preparando um golpe também – e, além da denúncia da oposição de que o presidente João Goulart preparava um suposto golpe comunista, coisa nunca comprovada, há correntes esquerdistas independentes que afirmavam estarem prontas para tomar o poder por considerar o governo burguês e liberal”, diz o professor Célio. “É difícil saber o que é retórica e o que é fato em todos os planos e discursos políticos, até porque os fatos são muito marcados por memórias de quem viveu no período”, completa. Segundo ele, saber que a diferença de termo usado pode refletir um posicionamento político é importante, especialmente para quem vai prestar vestibular para Humanas.
 
>> Situação econômica
Entre 1968 e 1973 ocorre o milagre econômico, quando o Brasil passa por um enorme crescimento econômico. Também nessa época, são construídos projetos faraônicos como a rodovia Transamazônica, a ponte Rio-Niterói, a usina hidrelétrica de Itaipu e o programa nuclear de Angra dos Reis. Por outro lado, isso tudo ocorreu à custa de empréstimos no exterior, o que elevou a dívida externa e a tornou impossível de pagar. “Mas esse crescimento não foi caracterizado por distribuição de renda. O Ministro da Fazenda na época, Delfim Netto, dizia que era preciso primeiro fazer o bolo crescer para depois dividir e de fato poucos podiam comer esse bolo. A situação foi ruim em termos mais amplos, com arrocho salarial (ou seja, os reajustes do salário não acompanhavam a inflação) e consequente perda do poder aquisitivo da população que vivia com salário mínimo”, explica Célio, lembrando uma frase do presidente João Baptista Figueiredo (1979 a 1985), que disse, quando lhe perguntaram o que faria se vivesse com um salário mínimo: “Eu daria um tiro no ouvido”.
 
>> Participação civil
“Hoje, há quem fale de golpe ‘civil militar’ e isso faz sentido. Além das manifestações da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, editoriais de muitos jornais apoiaram o golpe e defenderam o fim do governo de João Goulart”, diz o professor Célio. “Muita gente em 1964 flertava com um golpe, tanto da esquerda quanto da direita”, acrescenta. Os candidatos viáveis à presidência em 1964 eram impopulares entre os setores da elite econômica e cultural do país, e elas não olhavam com bons olhos a aprovação do Estatuto do Trabalhador Rural e a discussão da reforma agrária pelo presidente. Mas, apesar da desconfiança da direita, a esquerda o considerava moderado demais (leia a entrevista com o líder estudantil que, em 1968, liderou a Passeata dos Cem Mil, a maior manifestação contra a ditadura). “Eles o consideravam um pelego getulista que dava migalhas para o proletariado e ele se isolou ainda mais com seu plano de reformas de base [que envolvia mudanças nos setores agrário, bancário, tributário, eleitoral e urbano]. Jango não especificou o que ia fazer e, quando foi derrubado, não tinha nenhum projeto pronto. O governo dele era uma bagunça, ele não se preparou pra ser presidente até que Jânio Quadros renunciou ao cargo em 1961 [João Goulart era seu vice]”, diz Célio.
 
>> Marchas
O professor não acredita que os vestibulares façam comparações entre os protestos da época e os de hoje, mas pode ser que usem notícias de “marchas pela família” deste ano para perguntar sobre o que foram as marchas em 64. Assim, o estudante precisa ter conhecimento sobre o período anterior ao golpe.
 
Entre 19 de março e 8 de junho de 1964 ocorreu uma série de manifestações públicas denominadas “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Elas aconteceram em resposta à “ameaça comunista” representada pelo discurso de João Goulart no Comício da Central, em 13 de março daquele ano, quando mais de 300 mil pessoas se reúnem na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, para ouvir e apoiar as reformas propostas por ele. A primeira Marcha da Família reuniu 200 mil pessoas de vários setores da sociedade contra o comunismo. “Não podemos esquecer que é Guerra Fria. Depois da Revolução Cubana, não havia meio-termo: ou se estava do lado dos EUA ou da URSS, daí o sucesso das marchas que levaram milhares de pessoas às ruas”, diz Célio.
 
Fonte: Guia do Estudante História para vestibular e ENEM
 


Postado em 14/04/2014


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