As meninas lideram mais que os meninos?
Veja como estimular atitudes de liderança no seu filho, independentemente do sexo
 
Por Andressa Basilio 
 
(...) Por mais de um século, a palavra "mandona" teve uma conotação negativa para as mulheres. Por trás dela, estão estereótipos profundamente arraigados sobre gênero. Dos meninos se espera que sejam firmes, seguros, que saibam o que querem, enquanto as meninas devem ser boazinhas, amáveis e sensíveis. Quando um menino assume a liderança na sala de aula ou em um jogo, ninguém fica surpreso ou ofendido. Isso é esperado. Mas quando uma menina faz o mesmo, ela é geralmente criticada.
 
Personagens famosos da cultura pop nos mostram que a campanha faz sentido. Era sempre Hermione Granger, personagem da saga Harry Potter, que guiava as ações dos amigos e, também por isso, sofreu muita resistência ao longo dos sete livros – e oito filmes. E quanto à Mônica e o Cebolinha? Ele aprontava e era visto como o galoto espelto. Ela, sempre vista como mandona, agressiva e, claro, baixinha e dentuça. Essas duas histórias são apenas exemplos de como as personagens femininas dotadas de inteligência sofrem certo preconceito de seus colegas.
 
Mas, transportando o assunto para a realidade de nossos dias, será que faz mesmo sentido essa distinção entre os gêneros masculino e feminino, quando o que está em pauta é capacidade de liderar? Nós, sociedade, estamos proibindo as meninas de se desenvolverem plenamente? Deveríamos nos policiar para não usar a palavra “bossy” ou mandona com tanta frequência? A seguir você confere algumas respostas para isso.
 
Os tipos de liderança 
 
De acordo com o dicionário Houaiss, líder é: “1.Indivíduo que tem autoridade para comandar ou coordenar outros; 1.1. pessoa cujas ações e palavras exercem influência sobre o pensamento e comportamento de outras”. 
 
A filósofa, mestre em educação e escritora Tania Zagury, autora do livro Limites sem traumas (2000, Ed.Record), chama a atenção para o fato de que o movimento que surgiu com a campanha Ban Bossy está baseado em apenas um tipo de liderança: aquela que se faz pela imposição. Há, no entanto, outras e melhores formas de expressar essa característica, como explica a especialista: “Uma pessoa pode liderar por ser bonita, a exemplo das celebridades que mudam de cabelo e todo mundo segue a tendência. Pode liderar, também, por ser competente no que faz, como o jogador Ronaldo”, explica.
 
Saber trabalhar em grupo, ter dedicação, carisma, simpatia e cuidado com o outro são características que podem fazer com que uma pessoa assuma posições de liderança. E, muitas vezes, esses atributos se mostram até mais eficazes do que uma ordem que vem por imposição. “A missionária Zilda Arns liderou com sua bondade. Ela não precisava gritar ou mandar e tinha milhões de seguidores”, exemplificou Tania.
 
Para a psicóloga, quando a cantora Beyoncé pronuncia a frase no vídeo oficial da ação “I don’t have a boss. I Bossy” (Eu não tenho um chefe. Eu mando, em tradução literal), ilustra um pensamento equivocado de muitos pais. “Eles pensam que, quando a criança é muito mandona, é bom sinal de que o filho se dará bem na vida, já que sabe se impor. O pai que age incentivando um comportamento como esse está com medo e desconfiança do outro e transmite essa insegurança ao filho”, reforça Tania.
 
Como nasce um líder 
 
É claro que todo pai quer que seu filho tenha características que o farão chegar mais longe, o que, muitas vezes, é associado com liderança. No entanto, Tania explica que essa característica é uma confluência de três fatores:
 
1) Características individuais. Ou seja, a personalidade de cada um. Não adianta pedir que seu filho brinque com muitos amigos se ele prefere ficar sozinho, por exemplo. Certas crianças são mais inventivas, outras mais responsáveis. Você pode ajudar a desenvolver uma série de habilidades no seu filho, mas a raiz da personalidade dele é imutável. Quer ele se dê bem na vida? Saiba, antes de tudo, reconhecer e valorizar essas características próprias dele. A partir daí, você pode ajudá-lo a usá-las a seu favor e a trabalhar seus defeitos;
 
2) Ambiente onde a criança vive. Pais que agem o tempo todo guiando as ações do filho podem, sim, estar impedindo que ele desenvolva certas características. Por outro lado, quando a criança está cercada por pessoas muito permissivas, pode ser difícil para ela distinguir o certo do errado, o espaço dela do espaço do outro. Quando se trata de liderança, isso faz diferença;
 
3) O contexto sócio-cultural. Uma menina que mora no Afeganistão ou na África é completamente diferente de uma menina que cresce por aqui. A cultura e o contexto social e econômico fazem muita diferença em como certos povos valorizam ou não determinados aspectos da personalidade.
 
É possível estimular a liderança? 
 
Independentemente dos fatores citados acima, a liderança está também relacionada com autonomia, tomada de decisão e amadurecimento. Nesse sentido, é, sim, possível que os pais ajudem seus filhos a desenvolverem melhor essas questões.
 
Como? Comece com pequenas mudanças no dia-a-dia, como explica Elizabete: “Desde muito pequenas, e respeitadas as fases do desenvolvimento, os pais podem começar a dar pequenas responsabilidades à criança, como escolher a roupa, alimentar-se sozinha, mesmo que faça muita sujeira, amarrar os próprios sapatos, organizar o quarto e guardar os brinquedos”, diz. (Veja aqui que tipo de tarefas o seu filho pode fazer de acordo com a idade)
 
Além disso, é muito importante que os pais não deixem de fora o tal do limite. “Eu costumo dizer que a criança precisa de três palavras no dia a dia dela: o ‘sim’, o ‘não’ e o ‘negociar’.”, aconselha a psicopedagoga. A criança que só escuta ‘não’ pode ter uma série de problemas emocionais e sociais. Se os pais só dizem ‘sim’, estão privando o filho da frustração, que é importante e faz parte do desenvolvimento pessoal. Quanto à negociação, é claro que há situações que você pode ser mais maleável, como deixar a criança jogar videogame em um dia da semana, desde que depois da lição de casa. Já em outras, não, no caso do cinto de segurança do carro.
 
E é nessas pequenas atitudes do dia a dia que seu filho vai aprendendo a desenvolver melhor e a ganhar mais autonomia. Só não se esqueça que respeito, amor e paciência o farão ir muito mais longe, independentemente da personalidade dele.
 
E se minha filha for mesmo mandona? 
 
Ela sempre quer mandar nas brincadeiras, nos passeios e em casa? Então, os pais precisam ficar atentos. Se a criança estiver com atitudes agressivas ou impositivas demais, é hora de conversar sobre a importância de respeitar o outro e estabelecer alguns limites. Não deixe de rever suas ações. Pode ser que seu filho esteja apenas reproduzindo um comportamento que ele vê em casa.  
 
Fonte: Revista Crescer 


Postado em 16/04/2014


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