Análise: Pesquisa compara currículos educacionais pelo mundo
Iniciativa busca entender tanto práticas bem sucedidas quanto as que não obtiveram êxito
para auxiliar discussão do tema no Brasil
 
POR FERNANDA KALENA
 
O que ensinar e para quem? Essas questões sintetizam os dilemas de países que passaram, ou estão passando, por processos de implantação de uma base curricular nacional. A pesquisa Desenhos Curriculares em 16 países – Análises de Foco e Contexto de Implementação, coordenada por Maximiliano Moder, especialista em educação pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, que estará disponível em breve, compara diferentes currículos nacionais com o intuito de embasar a discussão brasileira.
 
“A ideia é olhar para o que está acontecendo pelo mundo. Esse estudo permite o entendimento de experiências diversas para que assim possamos aprender com elas”, conta Moder. Segundo ele, mesmo iniciativas que não foram bem sucedidas podem ser aproveitadas e auxiliar no entendimento das necessidades nacionais.
 
Ao pesquisar as especificidades de cada sistema educacional, Moder conta que também é possível perceber características comuns a todos os processos. “A tendência geral dos currículos é se articularem em torno do desenvolvimento de competências”, conta o pesquisador, que completa: “Competências entendidas não só como uma habilidade branda, de ser criativo ou ter empatia, mas sim entrelaçadas a conteúdos que são relevantes para a formação dos indivíduos”.
 
Dos 16 países inicialmente analisados, cinco foram estudados com mais profundidade, por possuírem características que, de algum modo, dialogam com as brasileiras. São eles: África do Sul, Austrália, Chile, Colômbia e Coreia.
 
Confira a seguir, alguns aprendizados que se podem tirar de cada uma dessas experiências:
 
África do Sul
O país passou recentemente por um processo de desenvolvimento de uma base curricular nacional. Também possui uma grande diversidade cultural e étnica e incorporou essa característica ao processo, com uma grande preocupação em garantir a inclusão das minorias.
 
Austrália
Possui um modelo recente, implantado pelo governo federal em 2008, como parte de um plano nacional que iniciou o processo de institucionalização das políticas educacionais do país. As diretrizes são nacionais, mas cada estado desenvolve seu currículo com base em um programa comum, que leva em conta as características locais, os aspectos culturais e as especificidades de cada região.
 
Chile
Possui os melhores resultados educacionais da América Latina. Passou por um processo de desenvolvimento e modernização curricular há 20 anos, mas a troca de partido político à frente do país estagnou o processo, que foi retomado neste ano com o novo governo. O projeto curricular chileno ressalta a importância de gerar acordos políticos que permitam dar aos programas educativos um caráter de política de Estado, e não de governo.
 
Colômbia
País com grande diversidade cultural, que ainda não possui uma base curricular nacional. Até 1994, a educação era descentralizada. Cada departamento (como são chamados os estados) tinha autonomia para criar seu próprio currículo e dava esta mesma liberdade às escolas.
 
Coreia do Sul
O currículo coreano foi elaborado com base em pesquisas e tendências internacionais, visando um plano de longo prazo e de continuidade do processo. As políticas educacionais são de responsabilidade do Estado, o que assegura o desenvolvimento dessas práticas e a flexibilidade de que precisam para se adaptarem a novas tendências.
 
Fonte: Porvir.org


Postado em 28/04/2014


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