Qual a importância da estabilidade emocional?
 
Essa habilidade não cognitiva pode ser trabalhada desde bem cedo na infância
e garante mais aprendizado - e felicidade! - para a criança
 
por Cynthia Costa 
 
Homens emocionalmente estáveis vivem mais. Essa foi a conclusão de um importante estudo, feito com 4,2 mil adultos do sexo masculino, que foram acompanhados por no mínimo 15 anos pelo Dr. Alexander Weiss e seus colegas da Universidade de Edimburgo. Os participantes que apresentaram menos picos de descontrole viveram mais e com maior bem-estar. 
 
E se essa constância for conquistada desde cedo na vida da pessoa? Melhor ainda! Considerada uma das habilidades não cognitivas, ou competências socioemocionais, mais preciosas, a estabilidade emocional pode - e deve - ser trabalhada na criança desde sempre.
 
Veja essa e outras ferramentas descobertas pelo Educar para garantir a estabilidade emocional das crianças e dos adolescentes.
 
1. O que é ter estabilidade emocional?
Basicamente, é responder bem a situações de estresse. Estudos como o citado acima, da Universidade de Edimburgo, relacionam a estabilidade emocional a um baixo "neuroticismo": diante de um obstáculo, a pessoa reage com calma e segurança, sem se preocupar demais. Pessoas instáveis são mais emotivas, temperamentais, reativas e ansiosas. Nas crianças, essa instabilidade se expressa na forma de birras constantes, picos de raiva e a incapacidade de se autorrecuperar diante de uma frustração comum do dia a dia. Nos adolescentes, as flutuações de humor também aparecem. Já a estabilidade emocional expressa-se em forma de atenção focada na sala de aula, calma ao realizar provas e cordialidade com os colegas. A estabilidade emocional também é uma das características mais trabalhadas nas terapias cognitivo-comportamentais.
 
2. Estabilidade = continuidade nos estudos
Não é difícil chegar a essa conclusão: quem é mais estável tende a estudar mais, e por mais anos. Mas essa afirmação vai além do senso comum. Diversos estudos americanos já provaram que alunos emocionalmente estáveis - sobretudo, com capacidade de autocontrole - vão mais longe. Um deles ficou conhecido como Marshmallow Study e foi realizado ainda nos anos 1960 pela Universidade de Stanford. As crianças ganhavam um marshmallow; se conseguissem esperar um pouco, ganhariam um segundo, se o comessem antes, ficariam apenas com aquele. Essas mesmas crianças foram acompanhadas nos anos seguintes e, surpresa: as que esperaram pelo segundo marshmallow se saíram melhor nos estudos. Portanto, se você quer que seu filho chegue à pós-graduação, fuja do imediatismo e invista na paciência e na perseverança.
 
3. Conjunto de virtudes
Temperança, resiliência, perseverança e autocontrole... São muitas as virtudes diretamente relacionadas à estabilidade emocional. O bom é que todas elas podem ser trabalhadas da mesma maneira: pelas experiências de vida e pelo modelo dado em casa. É comum, por exemplo, pais reclamarem para o terapeuta: "Mas meu filho reclama de tudo!". O terapeuta, então, rebate: "E vocês, pais, são reclamões?". Muito provavelmente, a resposta é sim. Dê o exemplo demonstrando nas mais diversas situações a perseverança (insistência em um objetivo; tentar novamente mesmo diante de obstáculos); a temperança (qualidade de quem é moderado em seu comportamento, não dado a exageros); a resiliência (a capacidade de se adaptar a situações difíceis ou novas) e o autocontrole (não perder a paciência com qualquer coisinha; ter frieza para chegar a uma solução).
 
4. Frustração começa em casa
Nem tudo na vida será como queremos, isso é fato. E o que seria melhor: aprender isso no próprio lar, com as pessoas que amamos, ou dar com a cara na porta lá fora, cercado por estranhos? "A criança tem de aprender a se frustrar em casa, que é o lugar seguro, onde ela sabe que é amada", enfatiza Paula Furtado. Ana Cássia Maturano, psicopedagoga e psicóloga clínica de São Paulo, concorda: "A estabilidade emocional é um aprendizado conquistado gradativamente, quando a criança depara com uma frustração natural da vida e não é poupada dela". Isso inclui, por exemplo, não poder comprar um brinquedo caro ou faltar a um passeio quando está resfriada. Outro ponto importante é como a própria família lida com frustrações do dia a dia. Se os pais demonstrarem descontrole diante das vicissitudes, naturalmente a criança adquirirá essa postura também; se, por outro lado, os problemas forem resolvidos com relativa tranquilidade, essa atitude também contagiará a criança.
 
5. Regra é regra
Um mundo sem regras pode até parecer divertido na teoria, mas, na realidade, seria bem angustiante. Os famosos "combinados" - regras combinadas coletivamente entre pais e filhos ou professores e alunos - são uma ajuda e tanto para a manutenção da estabilidade emocional. "Assim as crianças já sabem o que podem ou não fazer e não têm de pensar nisso a toda hora", diz Paula Furtado.
 
6. Literatura já
O contato com a ficção na infância é essencial por vários motivos. Um deles é justamente a conquista da estabilidade emocional: envolvendo-se com a história que é contada, a criança percebe que, assim como as personagens, é capaz de enfrentar as dificuldades da vida. "Ouvindo ou lendo histórias, a criança trabalha as suas angústias", explica Paula Furtado, lembrando, ainda, que os debates certo x errado e bem x mal podem ser levantados a partir de uma narração. Mas é bom deixar o debate surgir sozinho, sem ficar esclarecendo a moral da história para os pequenos. "A criança é muito projetiva. Se ela se identificar com as personagens e puder fazer uma interpretação própria, melhor", ressalta a psicopedagoga.
 
7. Ensine direitos e deveres
Reagir mal a qualquer coisinha que contrarie o seu desejo é traço das crianças e dos adolescentes instáveis. Mas quem serão os responsáveis por essa difícil característica? Como diria uma canção do filme A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005): sim, são vocês, os pais! Mostrar desde sempre que, na vida, é preciso fazer escolhas e com frequência abrir mão do que gostamos - seja em prol de outra pessoa ou por falta de oportunidade, saúde, dinheiro e até de lei que o permita - é responsabilidade dos cuidadores. Se a criança ou o adolescente só forem confrontados com coisas "chatas" de vez em nunca, certamente reagirão com muita instabilidade. A parte "chata" da vida - arrumar o quarto, fazer a lição de casa em horário apropriado, comer verduras, chegar pontualmente aos compromissos - tem de ser inserida no dia a dia como algo natural, que não tem por que causar sobressaltos. "Os pais não podem faltar ao trabalho para ir a uma festa, certo? Pois os filhos também não podem deixar de estudar para ir passear. Deixando claro esse tipo de limite em sua própria vida, os pais transmitem a noção de direitos e deveres", aponta Paula Furtado.
 
8. Crianças fora da bolha
O luto, as perdas e as frustrações de modo geral fazem parte da vida, e as crianças têm de ser incluídas nesse mundo, desde que de maneira sensível. "Pensamos que as crianças são muito mais frágeis do que são", pondera a psicopedagoga Paula Furtado. "O pai (ou educador) deve ter o bom-senso para distinguir a frustração que fortalece da que desgasta. Isso é percebido pela resposta da criança: se o seu rendimento escolar cai, ou ela se isola, pode ser que o fardo esteja pesado", complementa. No caso da perda de um parente, por exemplo, pode-se comunicar para a criança calmamente, transmitindo-lhe esperança. Desde que ela sinta que os pais garantem o bom funcionamento da rotina e lhe passam a segurança de que estarão ali para ampará-la, não é preciso ter tanto receio de decepcioná-la.
 
9. Estabilidade, sim. Repressão, não!
Ter estabilidade emocional não significa manter sob controle todas as emoções o tempo todo, muito menos escondê-las. É naturalíssimo que expressemos as mais diversas posturas, e as crianças também têm esse total direito. Além disso, elas possuem características próprias da idade. "Por exemplo, às vezes os adultos querem que as crianças fiquem sempre quietinhas. Mas elas têm uma natureza mais agitada", lembra Ana Cássia Maturano. São apenas os exageros (de raiva, decepção, euforia etc.) que são prejudiciais.
 


Postado em 06/06/2014


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