Como criar um filho que saiba lidar com o dinheiro
Nenhum pai ou mãe deseja que as crianças se tornem gastões, consumistas compulsivos ou adolescentes que nunca conseguem economizar a mesada. Por isso, o ideal é introduzir a educação financeira desde cedo
 
Por Marcela Bourroul 
 
Só quem é pai (ou mãe) sabe como é difícil ensinar as crianças a resistir a tantos produtos oferecidos por aí. Na televisão, é propaganda de bicicleta, casa de boneca, tablet. No shopping, as roupas e tênis brilhantes. Na escola, a amiguinha aparece com uma caneta colorida nova a cada semana. Realmente, é difícil não ouvir um “compra pra mim?” de vez em quando. Mas é, sim, possível (e fundamental!) criar filhos que dão valor ao dinheiro (nosso e deles) e que entendem que não é preciso ter todos os brinquedos do mundo para ser feliz. Com a ajuda de dois especialistas em educação financeira, reunimos algumas dicas para facilitar a sua vida.
 
Criança aprende brincando
A cabeça da criança não funciona como a de um adulto. Por isso, não adianta querer colocá-la sentadinha diante de uma lousa, fazer algumas contas e ensinar como juntar dinheiro. Nem tentar explicar para um menino de 6 anos sobre objetivos a longo prazo. “Raciocínio, valores e interesses das crianças são diferentes dos adultos. Imagine assim: enquanto os pais estão querendo comprar a casa própria, a criança sonha com uma casinha de boneca”, explica Álvaro Modernell, fundador da Mais Ativos, empresa especializada em educação financeira, e autor de livros infantis sobre o assunto.
 
Também é muito importante dar “lições” dentro de um contexto que faça sentido para o seu filho. Por exemplo, na hora de comprar um sorvete na praia, mostre que o picolé custa R$ 2 e que o sorvete com biscoito custa R$ 6, ou seja, quatro moedas a mais. Quando for à padaria, peça para ela conferir o troco. No supermercado, desafie-a a comparar preços de produtos iguais. Aos finais de semana, brinque com jogos de tabuleiro que ensinem a lidar com o dinheiro. São maneiras mais divertidas de falar sobre o assunto!
 
Cofrinho, sim!
Falando em brincadeira... O cofrinho é um dos métodos mais lúdicos de ensinar a criança a poupar. A brincadeira pode começar com a confecção do porquinho – vocês podem montar um em casa ou customizar o que veio da loja. Ele é indicado para crianças com mais de 3 anos (antes disso é muito provável que elas coloquem notas e moedas na boca) e serve para ensinar que dinheiro não cai do céu: o que você gasta em um dia demora vários para juntar.
 
Segundo Álvaro, os pais não precisam necessariamente estabelecer metas rígidas, como chegar a um valor determinado. “O importante não é o quanto falta para a meta, mas o ato de acumular para atingir em algum momento um determinado valor. Se a criança quer comprar uma bola e demonstra comprometimento com aquele objetivo, depois de certo tempo os pais podem abrir o cofrinho, pegar o que tem ali, fazer as contas e completar com o que falta. Nem por isso a criança deixará de se sentir responsável e vitoriosa.”
 
Para Cleber Pelarin, coach financeiro, na hora de abrir o cofrinho vale fazer certa cerimônia. O ideal é que os pais escolham um objeto que tenha uma válvula e não precise ser quebrado. “Conte junto com a criança quanto ela juntou e dê os parabéns por ela ter economizado, mostrando que é por isso que ela vai conseguir comprar o que queria.”
 
Dê limites
OK! A gente sabe que a criança não vai ganhar brinquedos ou roupas só com o que juntou no cofrinho. Você vai dar um presentinho de vez em quando e permitir certos luxos, como o petit gateau completo em vez da casquinha. Porém, o ideal é o equilíbrio para que ela entenda que não pode ter tudo. Deixe os presentes mais caros para datas especiais, como aniversário e Natal. Se ela pede em setembro o videogame que acabou de chegar às lojas, diga para ter paciência e esperar até dezembro. Na hora de comprar roupas, façam uma lista das peças que estão faltando antes de ir às lojas. Isso ajuda a manter o foco (seu e da criança). No supermercado, a mesma coisa. Estabeleça as regras antes de sair de casa e diga ao seu filho quantos produtos ele terá liberdade para escolher.
 
Os pais também precisam pensar em sua realidade financeira. Às vezes, os adultos gastam tudo o que têm para elevar o filho a um status social ou econômico falso. “Os pais não podem fingir que têm mais do que na realidade. Se você cria um filho assim é mais difícil quebrar esse ciclo na adolescência. A criança precisa perceber qual é o padrão de renda e saber que existem crianças que ganham mais e crianças que ganham menos. A vida é assim, nem tudo que o colega tem você pode ter”, afirma Álvaro.
 
Mesada
A mesada é uma opção dos pais. Alguns optam por esse sistema, outros dão dinheiro apenas quando os filhos precisam para um gasto específico. Para os especialistas em educação financeira, a mesada é positiva para o aprendizado da criança. O ideal é que dos 5 aos 8 anos ela seja, na verdade, semanada. Antes disso, os pais podem dar dinheiro eventualmente, sem se preocupar muito com valores, só para a criança se familiarizar com notas e moedas.
 
Para calcular o valor, a sugestão é que a semanada seja o equivalente em dinheiro à idade da criança. Portanto, com 6 anos, R$ 6 por semana. Com 9 anos, os pais já podem pensar em quinzenada ou mesada.
 
Uma dica importante é não misturar o dinheiro da mesada ou semanada com o dinheiro do lanche, caso seu filho compre na cantina. Isso porque, na ânsia de economizar, ele pode deixar de comer para que sobre mais dinheiro.
 
Dê o exemplo
Já demos essa dica em reportagens sobre alimentação, exercícios, educação... Mas ela vai se repetir mesmo, porque o “faça o que eu digo, não o que eu faço” simplesmente não funciona quando o assunto é crianças. Você pode até dar um jeitinho de enganá-las de vez em quando, mas que argumento vai sobrar quando você disser que seu filho já tem roupas suficientes no guarda-roupa e ouvir como resposta “a mamãe chega em casa com uma blusa nova toda semana”? E não é só em relação às compras. “Não adianta instruir as crianças se a vida financeira do casal é uma bagunça”, afirma Pelarin. O ideal é que o casal também faça um esforço para organizar suas contas, não atrasar pagamentos e criar uma reserva financeira.
 
Cuidado com o plástico
Um belo dia, seu filho irá descobrir o dinheiro de plástico. Provavelmente seus pais não tiveram que lidar com isso na sua infância – no máximo eles pagavam com cheque. Mas atualmente, como pagamos muitas coisas com cartão, vale explicar para as crianças que aquilo não é sinônimo de dinheiro infinito e que a fatura sempre chega no fim do mês. Se até gente grande se confunde com cartão de crédito, imagine na cabeça dos pequenos, não é mesmo?
 


Postado em 11/06/2014


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