Diário de um pré-adolescente
Seu filho precisa, sim, de privacidade nessa fase. Mesmo que seja difícil aceitar que ele está crescendo,
saiba como lidar com essas mudanças
 
Por Redação Pais & Filhos
 
Lembra quando seu filho andava ansioso para dividir tudo com você? Quando contava sobre o que tinha acontecido durante o dia? Até um ano atrás, a relação entre Maria Luisa e a sua filha Laura, agora com 8 anos, era assim. Lá pelo aniversário de 7 anos da filha, Malu notou algumas mudanças em seu comportamento. “Ela começou a escrever um diário, que escondia toda vez que eu entrava no quarto, e ficava superirritada quando eu a espiava para ver o que estava fazendo na internet, mesmo que ela apenas estivesse numa página de jogo”. Já viu esse filme? Pois é, como muitos pais de crianças dessa idade, Malu foi pega de surpresa pela mudança - ainda mais tão cedo.
 
Mas o comportamento de Laura é completamente normal. “Colegas e amigos se tornam mais importantes para as crianças durante este período, e uma das mudanças mais comuns é o desejo por privacidade no banheiro, enquanto se vestem, com seus diários, e por aí vai”, diz Allison Kawa, psicóloga especializada em crianças e adolescentes. A gente sabe que é difícil não levar essa nova fase para o lado pessoal. O desafio é deixar seu filho ter o tempo e o espaço dele, mas tudo ainda com seu cuidado e com segurança. Felizmente, não é difícil atingir esse equilíbrio.
 
Permita as “zonas de privacidade”
“É essencial que crianças dessa idade tenham um espaço onde elas possam estar sozinhas, que possam cantar em voz alta sem serem ouvidas, dançar sem serem perturbadas ou até se olharem no espelho sem ninguém espiando por trás”, aponta Elizabeth Goodenought, editora de Secret Spaces of Childhood. Um jeito de fazer isso é deixar seu filho por um tempo sozinho no quarto com a porta fechada – mas não trancada. “Respeite sua privacidade, bata na porta antes de entrar e não entre de surpresa”, aconselha Thomas Seman, residente pediátrico em Boston. Mas deixe claro que a porta não pode ficar trancada.
 
Se seu filho estiver com amigos em casa, é recomendável deixar a porta aberta por pelo menos uma parte do tempo, já que crianças em grupo tendem a fazer mais bobagens do que quando estão sozinhas, como jogar bola dentro de casa.
 
Estabeleça limites
Quando o assunto é segurança, a privacidade de seu filho tem que ficar em segundo plano, especialmente quando a internet está envolvida. Não o deixe ficar online sem a supervisão de um adulto. O melhor jeito de ficar de olho é colocar o computador numa área comum da casa, como a sala. Crianças dessa idade são curiosas e não ficam só no joguinho – a maioria gosta de salas de bate-papo, por exemplo. “Você pode explicar que estar online é o mesmo que sair com pessoas fantasiadas no Halloween. Não dá para saber direito com quem você está falando, a não ser que já conheça a pessoa na vida real, e que adultos com más intenções tentam enganar as pessoas fingindo que são crianças”, diz Allison. Deixe claro também que certas informações não devem nunca ser compartilhadas na internet, como sua idade, seu sobrenome, escola, endereço de e-mail e de casa.
 
Discuta sobre o assunto
Converse sempre que puder com seu filho, mas não espere - nem exija - que ele te conte tudo. É normal que ele não queira comentar sobre parte do dia ou sobre alguns de seus pensamentos. É claro que, se você estiver preocupada com seu silêncio e se ele parecer ansioso, mas insistindo que está tudo bem, é melhor perguntar sobre o que há de errado. Acima de tudo, é superimportante ser uma boa ouvinte e manter contato com os professores, que podem te dar informações.
 
Respeite a vergonha
Com 7 ou 8 anos, muitas crianças não querem ser vistas sem roupa. “Ué, mas eu o vejo pelado desde bebê!”, você pode pensar, mas isso não vai ajudar em nada. Respeite a necessidade de privacidade dele. Se você não gosta da ideia de deixá-lo na banheira ou no chuveiro com a porta fechada, deixa-a entreaberta. Apesar de parecer que tudo isso é uma bobagem, saiba que seu filho está começando a pensar no corpo como algo que é só dele, e isso é totalmente natural.
 
“Amanda ainda é muito dependente e ligada em mim, mas combinamos que alguns espaços são só dela, como a hora do banho e o diário. Ela toma banho sozinha e tem um diário que eu não leio. Usa pouco a internet, só para joguinhos. Mas eu e o pai dela estamos sempre de olho, o computador fica na sala, onde a gente pode ver o que ela está fazendo.”
Renata Lopes Puttini Trevisan, mãe de Amanda, 7 anos
 


Postado em 18/06/2014


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