Como lidar com a escolha profissional de seu filho
Veja o que levar em consideração primeiro, antes de se posicionar contra a opção de carreira anunciada por seu filho
 
por Luciana Fleury 
   
Quando os filhos são pequenos, os pais costumam achar adorável qualquer que seja a resposta à pergunta "O que você vai ser quando crescer?". A coisa costuma mudar de figura quando chega o momento pré-vestibular. Nem sempre o desejo expressado pelo filho sobre qual carreira pretende seguir é algo bem aceito pela família. "Os adultos estão em uma etapa da vida na qual preferem escolhas mais ‘prudentes’, pois já acumularam experiência, sabem o quanto o mercado de trabalho é exigente e como é difícil conseguir e manter um emprego e desenvolver uma carreira", comenta Marucia Bardagi, psicóloga e coordenadora do Laboratório de Informação e Orientação Profissional da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
 
Esta prudência pode gerar o receio de que a escolha de carreira do filho não seja a ideal e, depois, pode levar a conflitos. Sem saber como agir, muitos pais partem para atitudes intempestivas e impositivas, como exigir que o filho curse determinada faculdade. Já outros preferem "esconder" do filho o que pensam. Ambas atitudes desaconselhadas por quem entende de orientação profissional. "Os pais precisam compreender e assumir que têm, sim, grande influência na decisão dos filhos, mesmo se não expressam abertamente seu descontentamento", afirma Patrícia Maria Galvão Cintra Mortara, psicóloga especializada em orientação profissional e professora da Faculdade de Psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). 
 
Antes de criticar ou sofrer calado com a escolha profissional que seu filho professa, vale fazer a "lição de casa" proposta por Marucia e Patrícia nas dicas abaixo:
 
1. Entender que a escolha não é definitiva
"A decisão da carreira profissional torna-se algo pesado e difícil porque, muitas vezes, é tratada como se fosse uma escolha para o resto da vida. E isto não é verdade", comenta Patrícia Mortara, psicóloga especializada em orientação profissional e professora da Faculdade de Psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), lembrando que são incontáveis os caminhos que a vida profissional pode tomar, como advogados que se tornam administradores, psicólogos que dão aula de inglês, químicos atuando como gerente de banco. Além disso, hoje é comum que os jovens concluam duas ou até mais faculdades completamente diferentes, de acordo com os direcionamentos possíveis que vislumbrem ao ter maior contato com os conteúdos abordados nos cursos. Há o caso real de um jovem que cursou gastronomia, resolveu especializar-se em sobremesas e foi estudar química para entender com mais profundidade questões relacionadas ao ponto do chocolate e demais combinações entre ingredientes.
 
2. Reconhecer que o mundo do trabalho mudou
Não adianta usar como referência o seu histórico profissional para analisar se seu filho fez uma boa ou má escolha. "O mundo do trabalho mudou radicalmente e continua em ebulição; o leque de opções de atuação aumentou enormemente, profissões que hoje são relevantes nem existiam há dez anos, enquanto carreiras consagradas estão em crise, algumas até pelo excesso de profissionais", ressalta Marucia Bardagi, psicóloga e coordenadora do Laboratório de Informação e Orientação Profissional da Universidade Federal de Santa Catarina. Até mesmo o País mudou e áreas antes muito restritas, como do entretenimento e da cultura, cresceram, dando oportunidades de trabalho para atores, produtores, músicos, bailarinos etc. 
 
3. Refletir sobre o conceito de sucesso
Muitas vezes a aversão à escolha de carreira feita pelo filho está relacionada ao medo dele "não ter sucesso" ou "não ser feliz". "Os pais precisam se perguntar se a ideia de sucesso e felicidade deles é a mesma que a do filho", afirma Patrícia Mortara, psicóloga especializada em orientação profissional e professora da Faculdade de Psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). É preciso entender que algo fundamental para você (como uma carreira que proporcione estabilidade financeira) pode não ser importante para seu filho (ele pode lidar bem com uma profissão na qual os recebimentos sejam variáveis, ganhando menos num determinado mês, mas faturando mais em outro).
 
4. Saber que são inúmeras as formas de aplicação do conhecimento e de atuação profissional
Independentemente do curso, o aprendizado de seu filho (em uma boa faculdade, claro) irá servir para as mais variadas situações. Mesmo em cursos mais específicos, várias disciplinas são básicas, comuns a outras carreiras e a cursos mais "tradicionais", ou seja, ele terá uma formação completa. Vale também quebrar estereótipos. Seu filho decidir ser músico pode levá-lo a atuar como maestro, produtor musical, criador de trilhas sonoras para comerciais, filmes, jogos e aplicativos eletrônicos, crítico de música em veículos especializados e assim por diante - e não somente em formar uma banda e fazer shows. 
 
Uma boa forma para entender isso é olhar o atual processo seletivo de trainees de grandes empresas: podem concorrer às vagas estudantes dos mais variados cursos e não só àqueles diretamente relacionados à área de atuação da companhia. E isso vale tanto para empresas nascidas já na era da internet quanto para as cinquentenárias.
 
5. Avaliar se não se está transferindo sonhos e desejos próprios
Às vezes, há a vontade secreta de que o filho trilhe um caminho profissional que você mesmo sempre quis, mas não teve oportunidade. Ou então, acredita que seu filho se beneficiaria caso seguisse a sua carreira. Muitos pais desejam que os filhos tenham a mesma profissão que a sua, pois assim poderão ‘herdar’ contatos, clientes e até mesmo estrutura física, como consultórios ou escritórios. A questão aqui é perceber que seu filho é uma pessoa diferente de você e é preciso respeitar seus desejos, talentos e aspirações.
 
6. Perceber que não vale a pena investir tempo e dinheiro caso não haja real interesse
As duas especialistas alertam que é um erro grave forçar o filho a cursar uma faculdade indesejada, pelo risco de não ser aproveitada. "Conheço o caso de um jovem que entregou o diploma de Medicina para o pai e anunciou: ‘agora vou fazer o que eu quero’", exemplifica Patrícia Mortara, psicóloga especializada em orientação profissional e professora da Faculdade de Psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Além disso, elas lembram, é pouco provável que quem frequente as aulas sem qualquer motivação absorva completamente os conteúdos apresentados, tendo dificuldades em seguir adiante no curso, pelo baixo desempenho acadêmico. Um desperdício.
 
7. Falar abertamente com seu filho sobre seus receios e preocupações
As duas psicólogas entrevistadas recomendam fortemente que pais insatisfeitos ou preocupados com a escolha profissional do filho manifestem isso de forma clara, mas sem se exaltar. O ideal é criar momentos para conversas francas, nas quais você exponha seus temores e preocupações, ouvindo o que seu filho tem a dizer sobre elas. Em algumas situações, seu filho terá uma resposta direta e esclarecedora que ajudará na resolução da dúvida. Em outras, você verá que alguns questionamentos ele simplesmente não tinha pensado. Neste caso, vale propor descobrirem, juntos, as repostas, caso seja um ponto relevante para ele. Assim, vocês irão construir uma visão mais próxima do real e menos fantasiosa dos desafios e oportunidades da profissão escolhida, o que é altamente benéfico para ambos.
 


Postado em 16/07/2014


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