E quando os filhos não se desconectam?
Saber o que está sendo consumido através da rede e manter o canal de diálogo aberto parecem ser jeitos de conhecer o uso da tecnologia sem tabus
 
por Dennys e Chico
 
Pais podem ficar preocupados que seus filhos nunca estejam de fato desconectados do que acontece na rede ou na tela de seus celulares ou de seus computadores. Muitas vezes, mesmo quando a criança não está diante da tela, ela continua ligada na rede em conversas com seus colegas justamente sobre os joguinhos e distrações virtuais. Alguns pais e mães reparam nisso mais frequentemente – outros só quando olham para eventuais notas baixas na escola ou indícios de comportamento solitário ou antissocial.
 
O tempo que a criança passa em frente ao computador é muitas vezes o grande indicador para os pais. Medimos quanto do dia os filhos gastam com seus dispositivos eletrônicos e cortamos esse tempo quando parece que está fazendo mal aos estudos ou à vida social. O tempo dedicado pode ser um indicador fácil para se notar algo, mas está longe de ser a melhor ou a única forma de se detectar um possível vício ou distúrbio ligado ao uso das novas tecnologias. Os conteúdos e serviços consumidos também devem ser algo a ser visto, e não olhar esse aspecto pode dar uma impressão errada aos pais – e levá-los a ter falsos diagnósticos dos problemas a serem resolvidos. E, com falsos diagnósticos, fica fácil o recurso a ideias rasas, como o simples distanciamento das tecnologias. É o que muitos pais propõem: “chega de internet!”
 
Não parecem existir soluções mágicas. Colocar o uso excessivo de computadores em um pedestal completamente diferente do excesso em outras atividades individuais (como desenhar ou assistir TV) pode ser contraproducente e sufocar talentos dos filhos mais chegados ao uso criativo de novas tecnologias. Um distanciamento das famílias pode, inclusive, levar os filhos a pensar que esse não é um assunto “de casa” – o que pode ser péssimo se um problema ligado à rede surgir no cotidiano da criança ou de seus coleguinhas.
 
Pais não podem desprezar que a sociabilidade de seus filhos - nativos no mundo digital - é hoje construída também em rede e através de tecnologias como celulares e redes sociais. A nostalgia do mundo analógico cabe bem em conversas com contemporâneos dos pais, mas pode distanciar os jovens. O cultivo da distância em relação à tecnologia tem cada vez menos lugar em um mundo em que as fronteiras entre a conexão e a desconexão à internet apagam-se nos empregos e nos relacionamentos.
 
O uso excessivo tem que ser observado em perspectiva. O computador não é só uma peça de diversão, e muito menos um mal a ser evitado. Saber o que está sendo consumido através da rede e manter o canal de diálogo aberto parecem ser jeitos de conhecer o uso da tecnologia pelos jovens sem tabus – o que é fundamental para pensar em soluções quando problemas aparecem (como comportamentos antissociais ou baixo rendimento escolar).
 
* Francisco Brito Cruz é advogado, mestrando em Sociologia Jurídica na Faculdade de Direito da USP; Dennys Antonialli é advogado doutorando em Direito Constitucional na Faculdade de Direito da USP.
 
 


Postado em 21/07/2014


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