Cidadania - Como tornar seu filho um cidadão
É possível ensinar aos filhos noções de bom comportamento para com os outros membros da sua comunidade e para com a cidade? Sim, desde que você também os adote!
 
Por Carolina Tarrio
 
"O melhor lugar para ensinar cidadania é exatamente esse: com seu filho, dentro de casa e nas relações que ele estabelece e aos poucos vai ampliando", diz a pedagoga Renata Queiroz de Moraes Americano.
 
Como em vários dias da semana, o pai buscou a filha na escola. Acomodou-a na cadeirinha, no banco de trás do carro, e começou o trajeto de volta para casa. Havia trânsito. Depois de pegar alguns semáforos fechados, assim que surgiu a luz verde, o pai ouviu, em alto em bom som, vinda da cadeirinha, a voz de sua filha: - "Vai, mulher lerda!"
 
A menina, de 4 anos, nem se abalou ao ver o pai virar-se, espantado. Afinal, não era assim mesmo que ele fazia? Já o pai foi dormir naquela noite revendo alguns conceitos...
 
Essa pequena história, real, serve para ilustrar um fato mais do que comprovado: crianças aprendem imitando o comportamento dos adultos, vendo como estes agem e reagem - e não seguindo seus conselhos ou ensinamentos. Portanto, se você pretende ter um filho preocupado com o bem comum, ciente do outro e bom cidadão, não há outro jeito a não ser começar a seguir essa trilha você mesmo.
 
De nada adianta pedir calma aos filhos e agir feito um desesperado ao volante. Falar às crianças que elas devem ser legais com os amigos e dividir os seus brinquedos se somos os primeiros a furar fila, trafegar pelo acostamento ou largar o carrinho do supermercado dentro do elevador para que outro o leve até a garagem quando dá preguiça. Pode ter certeza: seus filhos vão tratar os outros, e a cidade, exatamente como você os trata. E devolverão consideração ou desrespeito na mesma medida em que os recebem.
 
Mas, afinal de contas, o que é essa tão falada cidadania? O conceito, que surgiu na Grécia Antiga, designa os direitos e deveres de todos os que vivem nas cidades. Alguns estão expressos em leis, como os direitos civis ou políticos. Outros simplesmente fazem parte das regras de bom senso e de convivência que cada comunidade adota. Em poucas palavras, a questão é simples: para usufruir do monte de benefícios que o viver em comunidade traz, é preciso, também, dar de volta, obedecendo regras estabelecidas e honrando deveres que garantem que o bem comum e os direitos dos outros também sejam preservados.
 
Muito fácil ensinar isso aos filhos nestes tempos de individualismo extremo, de corrupção, de desrespeito ambiental e social, né?, dirão vocês. De fato, não é. Mas ninguém falou que seria fácil desenvolver a humanidade. O esforço civilizatório nunca foi bolinho, mas precisa ter início em algum lugar. "O melhor lugar para ensinar cidadania é exatamente esse: com seu filho, dentro de casa e nas relações que ele estabelece e aos poucos vai ampliando", diz a pedagoga Renata Queiroz de Moraes Americano, da Escola Viva, em São Paulo. Assim, as noções vão sendo aprendidas, transferidas aos outros e, quem sabe, um dia, virem universais. Este planeta é nosso e a qualidade de vida nele, física ou socialmente, também depende de pequenas ações de nossa parte. 
 
Veja, a seguir, algumas dicas para caminhar na trilha da cidadania. 
 
1. Ninguém pode tudo
É na convivência com a família que a criança aprende suas primeiras noções de direitos e deveres, de responsabilidades e liberdades, de certo e errado. E é dever dos pais educar os filhos fazendo-os entender que ninguém pode tudo, que a liberdade de um termina onde começa a do outro, que uns e outros devem respeitar-se e tentar viver em harmonia.
 
2. Discurso igual à prática
A melhor forma de ensinar direitos e deveres é por meio de exemplos, de atitudes - e do diálogo. A criança entenderá aos poucos que os outros e a cidade fazem parte do seu mundo e que não é legal tratá-los mal. Mas de nada adianta fazer discurso bonito na mesa do jantar ao mesmo tempo em que se trata mal o garçom ou quem está servindo - seja sua mulher, filha, filho ou empregado.
 
3. Saber o que pode fazer
Crianças devem ser orientadas quanto aos seus próprios direitos. Elas precisam saber que podem determinadas coisas (outras não), e que isso varia conforme a sua idade e o seu nível de responsabilidade vão aumentando. Um irmão mais velho, que já sabe distinguir entre verão e inverno e identificar o que é mais apropriado para cada ocasião, por exemplo, pode escolher suas roupas. Já um menorzinho, não - a não ser que os pais queiram correr o risco de sair com um pinguim de casacão em pleno verão ou com alguém de cueca e botas no maior frio.
 
4. Dê bons exemplos!
Você cumprimenta seus vizinhos, conversa com eles sobre os problemas da rua ou do condomínio, os ajuda com suas compras, carrega a sacola pesada de alguém no ônibus, participa de atividades comunitárias? Esses são exemplos que seu filho assimilará de que você se importa com seus pares, com o bairro, com a cidade.
 
5. Envolva-se em questões de sua comunidade
À medida que as crianças crescem, é possível ir ampliando as noções de cidadania: seu filho participa de conversas sobre a sua rua, escola ou prédio, sobre a cidade, sobre política? Vai com você às urnas em dias de votação? Você procura explicar a ele sobre outros instrumentos que temos à disposição para melhorar nossas vidas? "Política é muito mais do que apenas exercer o seu direito de voto. É aprender a negociar e resolver problemas de todos. E ela está presente tanto em decisões da família quanto em questões maiores, como uma reunião de condomínio ou um conselho de bairro", diz a pedagoga Renata Queiroz de Moraes Americano. "Quanto mais os seus filhos exercitarem essa capacidade, melhor preparados estarão."
 
6. Seja democrático em casa
Você exerce algum tipo de democracia em casa? Há decisões tomadas em conjunto por toda a família? Claro que algumas escolhas cabem aos pais, aos responsáveis, mas as crianças podem escolher tanto sobre coisas prazerosas (um passeio, uma guloseima, por exemplo), quanto sobre responsabilidades (do que vão se encarregar na casa? Guardar os brinquedos, arrumar suas camas, ajudar com alguma tarefa?).
 
7. Ouça seu filho
Você pede a opinião do seu filho sobre determinados assuntos? Respeita essa opinião? A convivência com o diferente e o aprendizado da argumentação e do respeito para com o outro, mesmo que ele não pense igual, também começam em casa. Tente entender e ouvir o seu filho. "Sempre é preciso levar em conta que as crianças têm menos vivências e experiências, mas vale investigar como e por que elas formaram suas convicções e conversar sobre elas. Você pode até discordar do seu filho, mas não desqualifique sua opinião", aconselha Renata.
 
8. Respeite o outro
Respeitar o outro - principalmente o diferente - vale para todos. Você acha ruim se alguém tira sarro do seu filho por algum motivo, mas debocha na frente dele de gays ou de alguém que tem determinada religião? Lembre-se: um exemplo vale mais que mil sermões. Ensine seu filho a respeitar regras, valores e costumes diferentes dos seus.
 
9. Contribua para a sociedade
Você participa de algum trabalho voluntário? Varre sua calçada? Faz pequenos consertos (ou usa alguma outra habilidade que tenha) para ajudar os outros ou a cidade? Leve seu filho junto! E ensine a ele que há muitas coisas que podem ser melhoradas pela nossa iniciativa, pelas nossas mãos, que não precisam esperar que "alguém" venha fazê-las. Se todos contribuírem em vez de esperar, o resultado sai mais rápido. E isso vale tanto para ajudar a colocar a mesa do jantar quanto para mudar uma cidade.
 


Postado em 28/10


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