"A educação sexual precisa ser uma ação conjunta entre família, escola e sociedade"

A sexóloga Laura Muller, que esclarece as dúvidas dos jovens no Altas Horas, fala sobre a importância da educação sexual

 
29/03/2012 
Márcia Piovesan e Ana Thais Sasso
 
Há cinco anos Laura Muller dá um show à parte no programa Altas Horas, da Globo. Psicóloga especialista em sexualidade, ela responde a todas as perguntas dos jovens e artistas que participam da atração comandada por Serginho Groismann com tranquilidade, segurança e leveza. A galerinha adora!
 
Nascida e criada em Juiz de Fora (MG), Laura chegou a São Paulo aos 16 anos, para jogar vôlei na seleção paulista. Mais tarde, formou-se em jornalismo e iniciou a carreira no jornal Folha de S. Paulo. Começou a falar sobre sexo em 1997, quando se tornou editora de Emoções e Sexo da revista CLAUDIA. Foi quando fez pós-graduação em educação sexual e lançou seu primeiro livro, 500 Perguntas Sobre Sexo. "Tínhamos poucas referências na área e me apaixonei pelo tema", diz.
 
Desde então, Laura ganhou visibilidade e passou a realizar palestras por todo o país. "No final, as pessoas pediam para que eu as atendesse em consultório, mas como ainda não era psicóloga, não podia. Voltei a estudar!", conta.
 
Hoje, além das palestras e do consultório, a especialista escreve para jornais e revistas de todo o país e prepara seu quarto livro, este sobre sexualidade para crianças. Neste bate-papo a sexóloga explica o papel da família e da escola na sexualidade e no combate à homofobia.
 
Confira os melhores trechos: 
 
O que considera importante para a família na hora de lidar com a sexualidade das crianças?
 
Laura Muller: Os pais são os principais educadores dos filhos, eles já estão dando um roteiro para a criança de como ser homem ou como ser mulher no mundo. Isso é educação sexual. Quando essa criança cresce, vão surgindo as perguntas e a família precisa estar preparada de uma forma aberta. Isso faz parte do desenvolvimento. Basta o jovem encontrar um espaço em casa para sanar suas angústias, dúvidas e falar sobre o assunto de uma forma que ele se sinta acolhido. Os pais não precisam saber todas as respostas, porque ninguém sabe. Sexo é um tema tabu, é natural ter essa dificuldade. Mas com a família à disposição, o jovem já se vê mais seguro sobre isso.
 
Quais as principais questões na pré-adolescência?
 
Laura Muller: Elas surgem entre os 11 e 14 anos, quando a menina vai ter a sua primeira menstruação e o menino a primeira ejaculação espontânea, chamada polução noturna. Nesse período é muito importante explicar o que está acontecendo, as transformações do corpo infantil para o corpo adolescente... A menina, quando menstrua a primeira vez, já pode engravidar. O menino, na hora que ejacula, significa que já produz espermatozoides e pode, sim, engravidar uma menina. É preciso ser muito claro para falar de sexo e explicar todas essas questões para que esse pré-adolescente se torne um adolescente mais seguro.
 
A homofobia é um tema em evidência... Como tratar isso com os jovens? O que os pais e o colégio podem fazer para mudar essa realidade?
 
Laura Muller: Primeiro é preciso entender que homossexualismo não é doença. Cada um tem o direito de ser o que é. Cada pessoa tem seu conjunto de valores, crenças, histórias de vida e seu jeito de olhar o mundo e se relacionar com ele. Se uma pessoa é homossexual, bissexual ou heterossexual não existe problema nenhum. Cada um deve ser o que é, sem se esconder. Não é preciso problematizar a história, porque não é um problema. A gente é que cria isso. Nós devemos entender que isso é algo natural.
 
Clique aqui para acessar a entrevista completa. 
 
Fonte: Educar para Crescer


Postado em 02/05/2012


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