Entrevista com a escritora Marcia Kupstas, autora do livro "Sherlock Holmes - Casos Extraordinários"

O mundo dos livros desde muito cedo fez parte de sua vida, participou de vários concursos literários no colégio e na faculdade, o que naturalmente a fez uma escritora. Nascida no bairro de Vila Zelina, em São Paulo, Marcia Kupstas coleciona alguns prêmios conquistados ao longo de sua carreira, além do grande sucesso de público e crítica.

Em uma entrevista exclusiva para o Imprimir palavras, a escritora paulista de 52 anos conta como é escrever com tanta dedicação aos jovens, o que lhe inspira escrever para eles e o que pode melhorar no Brasil quanto ao incentivo do hábito da leitura. Márcia é autora, entre outros livros, de Sherlock Holmes - Casos Extraordinários, livro de leitura obrigatória para os alunos do 7º ano (Fundamental II) do Colégio Notre Dame. 
 
Confira os melhores momentos da entrevista: 
 
MÁRWIO CÂMARAQuando e como você decidiu escrever para o público jovem?
MARCIA KUPSTAS: Na verdade, a opção pelo público jovem foi casual. Eu sempre me senti escritora; desde a infância fazia redações de 8 a 10 páginas, participava de concursos na escola, dizia que era sonho de adulta ser escritora profissional. Na faculdade de letras da USP, participava de grêmios e jornais... comecei a publicar contos em revistas para jovens (como a Capricho) ou eróticas (como Big Man International ou CLUB) com a intenção de realizar esse sonho, lá por 1984-85. Em 1986 meu primeiro livro saiu pela editora Moderna, era ‘Crescer é perigoso’. Teve grande sucesso, ganhou o Prêmio Revelação Mercedes-Benz, recebi inúmeros convites para publicar em outras editoras juvenis e acabei me especializando no gênero.

MÁRWIO CÂMARA: O que te inspira dedicar boa parte de sua literatura para este público, sabendo que vivemos em um país que o numero de leitores, principalmente jovens, é uma grande minoria?
MARCIA KUPSTAS: Publiquei textos adultos de ficção, coordenei coleção de ensaios e escrevi historias infantis, mas o público jovem é muito ágil, instigante. Manda cartas (hoje e-mails), debate com você, interage, cobra resultados... me apaixonei por eles. Além disso, de certa forma acho que tem um lado meu que nunca saiu da adolescência. (Risos)

MÁRWIO CÂMARA: O que falta para o Brasil ter mais jovens leitores?
MARCIA KUPSTAS: Mais bibliotecas, mais acessibilidade, mais livros a preços baratos chegando de todos os lados além da escola (por bancas de jornais, coleções populares a bons preços, divulgação em outras mídias...) O jovem gosta de ler, precisa é conhecer o livro, o que muitos só fazem através da escola, infelizmente. Mas PELO MENOS existe esse canal, que é menor do que deveria, mas é um começo.
 
MÁRWIO CÂMARA: Como você lida com a crítica, principalmente aos que colocam de uma forma um pouco preconceituosa, a literatura juvenil com o status de literatura de segundo plano?
MARCIA KUPSTAS: Preconceito existe. Acho que “o buraco é mais embaixo”... de modo geral, a intelectualidade brasileira tem preconceito contra o sucesso. Tom Jobim passou a vida se defendendo de críticas burras que o acusavam de “fácil” porque ele vendia bem no exterior. Paulo Coelho foi um poeta excepcional como letrista do Raul Seixas, optou por ter uma narrativa leve, esotérica e de início foi incensado pela crítica. Acho que existe uma espécie de necessidade da lei da compensação: se o cara escreve bem, não vende. E se vende bem e tem leitores, só pode ser uma droga.

MÁRWIO CÂMARAEm ‘Crescer é perigoso’, você detalha com grande ênfase a montanha russa de novas experiências vivida pelo personagem Gustavo ao entrar na adolescência. Como você consegue exprimir esse universo de descobertas na juventude, de uma forma bem próxima ao leitor que a ler?
MARCIA KUPSTAS: Querido, acho que aqui a resposta pode parecer arrogante mas é a única que cabe: talento. O escritor tem de ir atrás, ficar de olhos abertos com os personagens, procurar retratar o que se vê e o que se sente. Fazer alguém bem diferente de você – um rapaz, nipo-brasileiro, baixinho e tímido – deixar de ser personagem “de papel” e virar um protótipo de gente “de verdade” e bem diferente de mim mesma, Márcia. Poxa, isso é desafiador. E quando você consegue, é muito gratificante.

MÁRWIO CÂMARA: Você acha que a internet de alguma forma contribuiu e tem distanciado os jovens dos livros?
MARCIA KUPSTAS: Acho que aproxima o jovem do texto e isso é bom. O cara tem de ser letrado para ler coisas na internet, pesquisar, filtrar dados, responder e-mails e etc. Se o afasta do livro convencional? Pode ser num primeiro momento, mas também ele pode ter contato com tantas informações periféricas sobre o tal livro que uma hora pode se interessar em lê-lo realmente. Acho que a internet não é uma vilã. É mais uma ferramenta na leitura e pode ser útil.

Fonte: Blog Imprimir Palavras
Entrevista realizada em 15 de abril de 2009


Postado em 08/05/2012


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