Língua Portuguesa: um passeio pelo Rio de Janeiro da literatura
Relembre cinco obras, algumas já clássicas, ambientadas na cidade
 
Aurélio Amaral (novaescola@fvc.org.br)
 
Em 450 anos de história, o Rio de Janeiro já foi palco de muitas histórias - ficcionais e não-ficcionais - de autores renomados que viveram na cidade ou nela se inspiraram durante visitas, como mostra a reportagem especial Rio de Janeiro 450 anos (VEJA 2415, 4 de março de 2015), disponível no acervo digital a partir de 6 de março de 2015. Com ajuda de Teresa Montero, professora de Literatura e organizadora da obra de Clarice Lispector, selecionamos indicações que formam praticamente um roteiro pelos bairros cariocas: da tranquila ilha de Paquetá, de Joaquim Manuel de Macedo, à movimentada Copacabana de Luiz Alfredo Garcia-Roza, passando pelo centro de João do Rio e pela zona portuária de Machado de Assis.
 
A moreninha 
(Joaquim Manuel de Macedo, disponível gratuitamente para download aqui
 
Embora não haja uma menção explícita à ilha de Paquetá, a obra faz várias referências ao bairro afastado da cidade por uma viagem de barca de mais de uma hora e que até hoje guarda traços interioranos. A atual Praia da Moreninha, antigamente chamada do Itanhangá, foi rebatizada por causa do romance. É no final desta praia que existe a pedra ou ponto alto, que posteriormente passou a se chamar Pedra da Moreninha. Na história, quatro estudantes - Augusto, Fabrício, Leopoldo e Filipe - passam um fim de semana na ilha e Filipe aposta que os amigos irão se interessar por suas primas ou por Carolina, sua irmã. Mulherengo, Augusto é desafiado: caso ele se apaixone por uma das moças, escreverá a história de sua derrota; se não se apaixonar, Filipe é quem deverá escrever sobre a vitória triunfal de seu amigo inconstante. Augusto conhece Carolina, por quem fica apaixonado. Os amigos, por outro lado, duvidam da sua capacidade de amar seriamente.
 
Memórias Póstumas de Brás Cubas 
(Machado de Assis, disponível gratuitamente para download aqui)
 
Narrado em primeira pessoa, Brás Cubas é um "defunto-autor", isto é, um homem que já morreu e que deseja escrever a sua autobiografia. Nascido numa família da elite carioca do século 19, do túmulo o morto escreve suas memórias póstumas, que repassam  a vida na chácara no Catumbi, na zona norte carioca, e os dialógos travados com o amigo Quincas Borbas no bairro vizinho da Tijuca. Ele também relembra o romance com Vírgilia, com quem se encontrava às escondidas numa casinha na zona portuária. A obra também passeia por várias localidades do centro carioca. Na Rua dos Ourives, hoje Miguel Couto, Brás Cubas compra joias para Marcela, que o ama, segundo uma das frases mais célebres do livro, "durante quinze meses e onze contos de réis". Mais relações entre as obras do autor e lugares do Rio de Janeiro podem ser conhecidos no aplicativo para celular O Rio de Machado.
 
A Alma Encantadora das Ruas 
(João do Rio, disponível gratuitamente para download aqui)
 
É o terceiro livro de João do Rio, pseudônimo do jornalista João Paulo Alberto Coelho Barreto (1881-1921). O autor retrata uma cidade com base nas contradições da modernidade, presentes principalmente na diversidade de tipos humanos e na desigualdade social. João descreve as profissões que ocupam as ruas, a mendicância e relata histórias de presos. Embora cite outros bairros, ele extrai do centro boa parte de suas histórias, conferindo inclusive certa alma às vias, daí o nome do livro. A Rua do Ouvidor, por exemplo, é caracterizada como fanfarrona. A Rua da Misericórdia, com moradias decadentes e miséria, é uma rua "lamentável". 
 
Laços de Família
(Clarice Lispector, 136 págs., Ed. Rocco)
 
A obra reúne 13 contos que têm como tema desavenças que emanam do círculo doméstico. Homens ou mulheres, os laços que os unem são, em sua maioria, elos familiares ao mesmo tempo de afeto e de aprisionamento. Clarice Lispector (1920-1977) trata a solidão, a morte, a incomunicabilidade e os abismos da existência por meio da rotina de dona-de-casa, do mergulho em uma festa familiar ou dos pequenos crimes cometidos contra a consciência. Em Mistério em São Cristóvão a autora faz referência ao "sereno perfumado" da região que outrora sediou a residência da família real. O Jardim Botânico, situado no bairro homônimo, é cenário do conto Amor. Segundo Teresa Montero, o Jardim representava para a autora o lugar da liberdade, onde ela 'ficava sendo", como gostava de dizer - em contato com a natureza e com seu eu mais profundo. 
 
 
Uma Janela em Copacabana 
(Luiz Alfredo Garcia-Roza, 232 págs, Ed. Companhia das Letras)
 
Após o assassinato sequencial de dois policiais de segundo escalão, a polícia entra em um dilema: quem estaria disposto a correr o risco para matar tiras com carreiras de pouco prestígio? Percorrendo as ruas do Leme, de Copacabana e do Bairro Peixoto, o delegado Espinosa vai se deparar com outras mortes e com uma mulher enigmática e insinuante, casada com um servidor de alta patente do governo federal.
 
Fonte: Teresa Montero, professora, biógrafa e organizadora de diversas obras de Clarice Lispector. Autora de Eu Sou uma Pergunta, Uma Biografia de Clarice Lispector (Ed. Rocco) e Idealizadora do projeto "Caminhos da Arte no Rio de Janeiro", onde criou os passeios O Rio de Clarice e O Rio de Carmen Miranda.
 
Fonte: Nova Escola 


Postado em 09/03/2015


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