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26 Dez
2019

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Brincar na rua com familiares e amigos é receita para felicidade na infância e bem-estar na vida adulta

Guia da Sociedade Brasileira de Pediatria incentiva pais e educadores a proporcionar
mais diversão aos pequenos em espaços abertos
 
Inserir experiências com a natureza na rotina das crianças, de preferência na companhia da família e dos amigos, é um dos ingredientes primordiais na receita de uma infância feliz, segundo evidências de pesquisas internacionais estudadas pelo Instituto Alana para a elaboração do manual Benefícios da Natureza no Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O guia tem como principal inspiração o livro de Richard Louv, A última criança na natureza, publicado nos Estados Unidos, e propõe até algumas metas: procurar áreas remotas anualmente, visitar um parque urbano mensalmente, observar pássaros, plantas e pedras semanalmente e brincar ao ar livre diariamente.
 
Nem sempre é fácil seguir as instruções, principalmente nas grandes cidades, onde a maior parte das famílias reside em apartamentos sem pátio e as distâncias dificultam a convivência com o que se chama de família estendida — primos e outros parentes próximos. E tem mais a segurança urbana, que muitas vezes inibe a ocupação de espaços públicos.
 
A ausência dessas experiências pode ter consequências diversas, não só na infância, mas também na vida adulta. O convívio favorece a noção de corpo, de distância, de limite e a falta de brincadeiras pode resultar tanto em limitações psicomotoras — adultos que não sabem correr ou pular porque não tiveram brincadeiras corporais na infância — até outros transtornos mais graves, que muitas vezes se confundem com o espectro autista, devido ao isolamento social.
 
A psicóloga e psicanalista Andrea Ferrari, professora do Departamento de Psicanálise e Psicopatologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), recomenda cuidado com a expressão “feliz”, não só porque ela implica uma relação com outra experiência, para que se possa valorar uma vivência como feliz ou não, mas também pela cobrança social de felicidade permanente, que é inatingível.
 
— Em todos os momentos da vida, inclusive na infância, viver exige administrar frustrações. Permitir que as crianças tenham experiências sozinhas e vivam suas descobertas e frustrações faz parte do desenvolvimento — pontua a pesquisadora.
 
Criar relacionamentos seguros e explorar o ambiente é a combinação ideal para uma infância feliz, confira dicas: 
  1. Não deixe que a agenda do seu filho seja completamente preenchida por estudos e atividades extracurriculares. Reserve pelo menos uma hora por dia para que ele possa brincar ao ar livre.
  2. Não é preciso procurar lugares distantes ou perfeitos, dê um passeio na rua, use o pátio do prédio, vá até a praça mais próxima.
  3. Sempre que possível, realize os deslocamentos rotineiros com a criança à pé. Bicicleta também é uma opção. Além de proporcionar uma atividade física, isso cria senso de pertencimento e cria vínculos afetivos.
  4. Sirva de exemplo: saia de casa. Reserve tempo para atividades ao ar livre com seu filho. O exemplo dos adultos é fundamental para que os pequenos estabeleçam uma relação duradoura com a natureza.
  5. Leve a flora e a fauna para dentro de casa: deixe que seu filho brinque com animais domésticos e mexa na terra, seja um jardim ou uma pequena horta.
  6. Não existe clima ruim, só roupas impróprias. Bota plástica e capa de chuva permitem que seu filho vá para o lado de fora mesmo que esteja chovendo. Nos dias muito ensolarados, proteja a criança com chapéu e protetor solar, mas dê preferência à sombra na hora da brincadeira.
  7. Converse com outros pais sobre como oportunizar mais tempo para diversão ao ar livre aos pequenos, apesar dos problemas de segurança pública e horários de trabalho. Tente criar redes de apoio para que o shopping não seja a única opção.
Fonte: Manual de Orientação – Benefícios da Natureza no Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes e Gaúcha Zero Hora